
Há lugar para o catastrofismo?
*José Renato Nalini
A situação do mundo é preocupante. O aquecimento global é resultado das contínuas agressões contra a natureza, que agora responde como sabe: fenômenos climáticos extremos. Seca, tempestade, tudo intercalado e sem aquela estabilidade com a qual a humanidade se acostumara durante milênios.
As pesquisas convergem para um agravamento da saúde do planeta. E não é ele quem vai perecer. Continuará sua trajetória por esta galáxia, num cosmo infinito e ainda indevassável. Quem vai sofrer é o ser humano, ao lado de todos os mais seres vivos.
O cenário é ambíguo, pois há quem acredite lucrar com o derretimento das calotas polares. Terras inaproveitáveis para a agricultura se tornarão férteis. Mas a que preço? As minúsculas nações insulares deixarão de existir. Vamos multiplicar o número dos refugiados climáticos.
É um quadro de muitas incertezas, mas de evidentes sintomas. Será possível transformar incerteza em alternativa?
O ideal é convencer todas as pessoas a pensarem o que se pode fazer para adaptar as cidades ante a perspectiva de intensificação e maior ocorrência de episódios que o vulgo chama de “desastres naturais”, mas que são provocados por nossa insana irracionalidade.
E há muito a ser feito. Por exemplo, economizar água, plantar árvores, o melhor remédio para reduzir a temperatura. Economizar energia elétrica. E, principalmente, cuidar melhor dos resíduos sólidos que todos produzimos em abundância.
A maior cidade brasileira é responsável por mais de quinze mil toneladas daquilo que chamávamos “lixo”, mas que o mundo civilizado descobriu ter valor e integrar o conceito de logística reversa e economia circular. É ínfima a quantidade de resíduo sólido reciclado, porque as pessoas não sabem descartar corretamente aquilo que desperdiçam. Bastaria separar os resíduos orgânicos, úmidos, aquilo que apodrece e pode se transformar em biometano e os resíduos secos, apropriados para a reciclagem.
Enfim, se o horizonte é angustiante, sinal de que devemos nos mexer. Começar por nos interessar pelo tema. E depois, fazer alguma coisa, de acordo com nossas possibilidades.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

