
Fórmula 1: A disputa explode, Verstappen ressurge, McLaren patina e o México vira palco decisivo
Por Walter Westphal – Coluna de Automobilismo | São Paulo TV Broadcasting
A Fórmula 1 ganhou um novo brilho competitivo após o domínio absoluto de Max Verstappen no Grande Prêmio dos Estados Unidos. O holandês venceu a corrida sprint e a prova principal em Austin, largando na pole e liderando praticamente sem ameaças. Com isso, o campeonato, que caminhava em ritmo confortável para Oscar Piastri, voltou a pulsar com força. Com apenas cinco etapas para o fim da temporada — México, Brasil, Las Vegas, Catar e Abu Dhabi — cada ponto ganhou peso dramático. A matemática está aberta, e os nervos, à flor da pele.
Piastri ainda lidera o Mundial de Pilotos com 346 pontos, seguido de Lando Norris, seu companheiro de McLaren, com 332 pontos. Max Verstappen soma 306 pontos e, nas últimas quatro corridas, recuperou impressionantes 64 pontos em relação ao australiano. A pressão mudou de lado. O pódio no Texas resumiu esse momento: Verstappen em primeiro, Norris em segundo e Charles Leclerc em terceiro.
Mesmo campeã do Mundial de Construtores com folga, a McLaren vive queda de eficiência técnica justamente na reta final. A equipe não vence desde Monza e começa a perder ritmo em momentos decisivos. Entre engenheiros e analistas, surgem hipóteses que vão do crescimento tardio dos rivais à possibilidade de que o desenvolvimento do carro de 2025 tenha sido congelado para priorizar o projeto de 2026. Some-se a isso o desgaste psicológico da reta final e o resultado aparece na pista.
Do outro lado, a Red Bull cresce de forma silenciosa e cirúrgica. Enquanto os adversários oscilam, a equipe evolui o RB21 com atualizações constantes e trabalha paralelamente no carro que estreará em 2026, com nova unidade híbrida desenvolvida em parceria com a Ford. Essa estratégia “dois tempos” cria vantagem imediata: entendimento profundo de aerodinâmica, equilíbrio de corrida e confiabilidade sob estresse térmico.
E agora a Fórmula 1 chega ao Autódromo Hermanos Rodríguez, na Cidade do México, onde a altitude de 2.285 metros embaralha todo o jogo. O ar rarefeito obriga turbocompressores a trabalharem mais, eleva drasticamente a temperatura do sistema híbrido e aumenta o desgaste de freios. Não basta acelerar. É preciso respirar. Nos últimos anos, Max Verstappen reinou no México, vencendo em 2021, 2022 e 2023. Em 2024, o espanhol Carlos Sainz quebrou a sequência, mas o favoritismo do holandês segue intacto.
A Mercedes entra como fator disruptivo. Após upgrades de refrigeração e acertos aerodinâmicos que brilharam em Singapura, George Russell mostrou ritmo forte e coloca a equipe inglesa na posição de “terceiro elemento”, capaz de roubar pontos preciosos na briga pelo título.
E no horizonte aparece Interlagos. A pista brasileira é imprevisível, emocional e historicamente turbulenta. Chuvas repentinas, safety car estratégico e desgaste psicológico já mudaram histórias de campeões na última curva. Quem chegar ao Brasil pressionado carrega uma mochila de concreto.
Nos bastidores, o paddock sussurra dúvidas que crescem como rachaduras em concreto: McLaren parou de evoluir? Verstappen vinha escondendo performance? Norris sente o peso emocional? No automobilismo de elite, rumor vira combustível e combustível vira performance.
No Mundial de Construtores, a McLaren reina com 678 pontos, seguida pela Mercedes com 341 e pela Ferrari com 334. O título está encaminhado, mas o prestígio da taça de pilotos ainda é o que brilha no currículo.
Em condições extremas de altitude, turbinas chegam a girar até sete por cento mais rápido, o calor no sistema híbrido pode subir onze por cento e o desgaste de freio aumenta em torno de quatorze por cento. Equipes que não dominam esse parâmetro pagam caro.
O resumo do momento é simples: Verstappen voltou ao jogo, a McLaren oscila na reta final, a Mercedes ameaça interferir e Interlagos pode virar roteiro dramático. São cinco corridas restantes, três pilotos com chances reais e um troféu que começa a ficar quente nas mãos.
Se Verstappen confirmar favoritismo no México, a pressão emocional muda de lado. Se Norris reagir, vira candidato real. Se Piastri resistir, nasce um campeão precoce. A Fórmula 1 vive sua essência: nervos expostos, estratégia fina e detalhes que decidem mundos.
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Por Walter Westphal
Colunista de automobilismo — São Paulo TV Broadcasting
