
Fervor ecológico
*José Renato Nalini
As pessoas que se preocupam com o futuro do planeta devem ficar desalentadas quando tomam conhecimento dos descalabros perpetrados em todos os recantos. O Brasil não é exceção quando se trata de negligenciar a proteção ecológica e de produzir estragos irreversíveis.
Por exemplo: ainda que a ciência tenha comprovado que o aquecimento global resulta da contínua emissão dos gases causadores do efeito estufa, gerados pelo combustível fóssil, o poderio econômico do conglomerado petrolífero continua dando as cartas.

É muito triste verificar que existe um discurso às vezes edificante e compatível com os riscos que o excesso de carbono e outros venenos causam à humanidade, a prática é miserável. Exploração de petróleo na foz do Amazonas, com vazamento que contamina os ecossistemas e ameaça a saúde de todos os viventes.
Enquanto a ONU diz que a situação hídrica já não é de escassez, mas de verdadeira “falência”, o lançamento de esgoto in natura prossegue, o descarte irregular de resíduo sólido também e o desmatamento faz o restante para acabar com a água doce, num país que foi tão privilegiado pela Providência.
Essas notícias precisam servir para enfatizar a necessidade de não perder a coragem, de indignar-se e de fazer mais para coibir tais desmandos. Todos podem fazer alguma coisa: plantar uma árvore, descartar corretamente o que se desperdiça, alertar as crianças, que serão as vítimas preferenciais dos cataclismos climáticos.
Não desistir, pois a inércia não é apenas deixar de agir. É acumpliciar-se com os que estão exterminando o futuro e fabricando desertos. Vamos colocar vitamina em nosso fervor ecológico! Afinal, a nossa vinda e permanência durante algumas décadas nesta esfera azul e frágil precisa representar um ganho para a história e para o projeto de salvação da humanidade.
*José Renato Nalini é Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

