
Feminicídio em alta no Brasil: organizações lideradas por Ana Karin Andrade lançam manifesto de repúdio e convocam mobilização nacional
Da Redação da São Paulo Tv por Beatriz Ciglioni
O Brasil atravessa uma crise profunda no enfrentamento à violência contra a mulher. Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 revelam um cenário devastador: mais de 1.500 feminicídios registrados somente em 2024, uma mulher assassinada a cada seis horas, a maior parte dentro de casa e pelas mãos de parceiros ou ex-parceiros. Mesmo com recorde de 450 mil pedidos de medidas protetivas, o país segue falhando em impedir que a violência doméstica evolua para sua forma mais extrema.

Esse quadro dramático reacendeu a mobilização de organizações femininas, entidades de apoio e movimentos sociais. Na linha de frente dessa articulação está Ana Karin Andrade, referência nacional na defesa dos direitos das mulheres e liderança em entidades como APVEPSP, Mulheres Solidárias, APDESP e ABM Mulheres, que juntas emitiram um manifesto contundente diante da escalada de violência.
Em nota pública, Ana Karin expressa o sentimento coletivo de indignação:
“Manifestamos nosso profundo repúdio e indignação diante dos alarmantes e crescentes casos de feminicídio que têm chocado o país. Assistimos, com dor e revolta, à materialização de uma misoginia estrutural que continua a ceifar vidas de mulheres de forma sistemática.
O feminicídio é a expressão máxima da violência de gênero e reflete uma sociedade que falha em proteger suas mulheres.
Não daremos trégua; nossa indignação será manifestada por ações efetivas. O silêncio nos torna cúmplices.
A luta pela vida das mulheres é contínua e exige a presença de todos e todas nas ruas e em todos os espaços de poder!
Lutamos por uma sociedade justa e igualitária que respeita as vidas das meninas e mulheres.
Junte-se a nós!”
A fala ecoa no país em um momento crítico. O aumento dos feminicídios não é um fenômeno isolado: trata-se, como já apontam especialistas, da face mais brutal de uma misoginia estrutural que atravessa gerações. O problema se manifesta não apenas nos crimes consumados, mas nas agressões silenciosas, nas ameaças diárias, na desigualdade econômica e na dependência emocional que aprisionam milhares de mulheres.
Além disso, o recorte racial e social aprofunda a desigualdade: mulheres negras e periféricas seguem como as principais vítimas, revelando que a violência de gênero no Brasil é atravessada também por marcadores históricos de exclusão.
As organizações lideradas por Ana Karin defendem que a sociedade civil precisa assumir protagonismo, ao lado do Estado, na formação de redes de proteção, acolhimento e prevenção. A nota também anuncia que novos atos públicos, encontros formativos e campanhas de conscientização serão divulgados nas próximas semanas.
A mensagem central é inegociável:
não há como normalizar a morte de mulheres — e o país já ultrapassou esse limite.
A mobilização nacional que surge a partir desse manifesto reforça a necessidade de ação contínua, vigilância permanente e políticas públicas efetivas para que nenhuma mulher seja silenciada pela violência.

