
Exército Brasileiro reforça atuação estratégica contra o crime organizado e amplia investimentos em inteligência e defesa cibernética
Da Redação da São Paulo Tv
Relatório do Centro de Inteligência do Exército destaca crescimento das ameaças digitais e do crime transnacional, enquanto instituição fortalece tecnologia, monitoramento e proteção da soberania nacional
O Exército Brasileiro reafirmou seu papel estratégico na proteção da soberania nacional ao apresentar um panorama das principais ameaças enfrentadas pelo Brasil na atualidade. Durante uma exposição realizada no Quartel-General do Exército, em Brasília, o Centro de Inteligência do Exército (CIE) apresentou dados que demonstram o avanço das organizações criminosas transnacionais e o crescimento das ameaças cibernéticas, reforçando a importância dos investimentos contínuos em inteligência, tecnologia e capacitação militar.

Segundo o comandante do CIE, general Carlos Eduardo Barbosa da Costa, somente em 2025 foram registradas 754 bilhões de tentativas de invasão aos sistemas digitais brasileiros. O número revela a dimensão dos desafios enfrentados diariamente pelas estruturas responsáveis pela proteção das redes estratégicas do país.
Para o Exército, o ambiente digital passou a representar um dos principais campos de atuação da defesa nacional. A proteção de sistemas públicos, redes governamentais, infraestruturas críticas, bancos de dados e comunicações estratégicas tornou-se prioridade diante da crescente sofisticação dos ataques promovidos por organizações criminosas e grupos especializados em crimes virtuais.
Outro ponto de destaque foi o combate ao crime organizado transnacional. A inteligência militar estima que aproximadamente 250 toneladas de cocaína utilizem anualmente o território brasileiro como corredor logístico para abastecer mercados internacionais, movimentando cerca de R$ 50 bilhões por ano.
Segundo o general Carlos Eduardo Barbosa da Costa, organizações criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) possuem elevado poder financeiro, grande capacidade de adaptação e conexões internacionais, exigindo permanente aperfeiçoamento das ações de inteligência e integração entre as instituições do Estado.

O oficial ressaltou que o enfrentamento dessas organizações depende da atuação coordenada entre as Forças Armadas, órgãos de inteligência, forças policiais e instituições responsáveis pela segurança pública, sempre dentro das competências constitucionais de cada órgão.
Esse trabalho realizado em âmbito nacional é refletido na atuação dos diversos comandos militares espalhados pelo país. Na Região Sudeste, por exemplo, o Comando Militar do Sudeste (CMSE), sediado em São Paulo e comandado pelo General de Exército Ricardo Piai Carmona, exerce papel estratégico na coordenação das operações militares na região que concentra a maior população, o maior parque industrial e a maior atividade econômica do Brasil.
Sob o comando do General Ricardo Piai Carmona, o CMSE mantém elevados padrões de preparo operacional, investe na qualificação permanente do efetivo, na modernização dos equipamentos e na integração com órgãos federais, estaduais e municipais. A atuação do comando fortalece a capacidade de resposta em situações de emergência, amplia a proteção das infraestruturas estratégicas e contribui para o planejamento da defesa nacional.
Além das atividades operacionais, o Comando Militar do Sudeste também participa de ações humanitárias, apoio à Defesa Civil, logística em situações de calamidade pública, campanhas de saúde, operações de garantia da segurança institucional quando determinadas constitucionalmente e projetos de aproximação com a sociedade.
Outro importante avanço destacado pelo Exército é o fortalecimento da Defesa Cibernética. O comandante do Comando de Defesa Cibernética, general Jacy Barbosa Júnior, explicou que os ataques digitais passaram a representar uma das maiores preocupações dos governos em todo o mundo, exigindo investimentos constantes em tecnologia e formação de especialistas.

Segundo ele, formar um operador de defesa cibernética exige aproximadamente cinco anos de preparação e investimentos superiores a R$ 300 mil, demonstrando o elevado grau de especialização necessário para proteger os sistemas estratégicos brasileiros.
Durante a apresentação também foi abordado o avanço da Inteligência Artificial, considerada uma ferramenta fundamental para ampliar a capacidade de análise de dados, antecipação de ameaças e apoio à tomada de decisões. Os militares ressaltaram, entretanto, que o principal desafio está na proteção das informações estratégicas utilizadas por essas plataformas.
O Exército Brasileiro também vem ampliando investimentos em sistemas de monitoramento, drones, satélites, comunicações seguras e integração de informações, fortalecendo sua capacidade de atuação diante das novas ameaças híbridas que combinam crimes cibernéticos, desinformação, espionagem e ações do crime organizado internacional.

Reconhecido internacionalmente pela atuação em missões de paz das Nações Unidas, operações humanitárias, proteção das fronteiras e apoio às populações em situações de emergência, o Exército Brasileiro continua investindo na modernização de sua estrutura, na valorização dos militares e no fortalecimento de sua capacidade tecnológica.
O trabalho desenvolvido pelo Centro de Inteligência do Exército, pelo Comando de Defesa Cibernética e pelos comandos militares regionais, como o Comando Militar do Sudeste, demonstra o compromisso permanente da instituição com a preservação da soberania nacional, da estabilidade institucional e da segurança da sociedade brasileira.
Fonte: , O Estado de S. Paulo, com informações apresentadas pelo Centro de Inteligência do Exército (CIE) e pelo Comando de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro.
