
EUA tentam interceptar terceiro petroleiro ligado à Venezuela no Caribe
Da Redação da São Paulo TV
Com informações da AFP e O Estado de S. Paulo
Embarcação sancionada por transporte de petróleo iraniano segue em fuga; tensão aumenta após anúncio de “bloqueio total”
A Guarda Costeira dos Estados Unidos tentou interceptar um terceiro petroleiro ligado à Venezuela no Mar do Caribe. Até a noite deste domingo (22), a embarcação — identificada como Bella 1, de bandeira panamenha — seguia em fuga, segundo três autoridades americanas ouvidas sob condição de anonimato.

A tentativa de abordagem ocorreu nas proximidades da costa venezuelana, poucos dias depois de o presidente Donald Trump afirmar que intensificaria ações contra navios sancionados envolvidos no comércio internacional de petróleo. O Bella 1 estaria a caminho da Venezuela para carregar petróleo e não transportava carga no momento da interceptação, de acordo com dados de rastreamento marítimo e uma das fontes oficiais.
O navio está sob sanções dos Estados Unidos desde o ano passado por ter transportado petróleo do Irã. Segundo as autoridades, quando as forças americanas se aproximaram, a embarcação não hasteava bandeira nacional válida, o que a caracterizaria como apátrida — condição que permite abordagem em alto-mar à luz do direito internacional.
Ainda de acordo com fontes do governo americano, foi obtido um mandado de apreensão expedido por um juiz federal, o que autorizaria a tomada de posse do petroleiro. O pedido judicial, porém, estaria fundamentado no histórico do Bella 1 no comércio de petróleo iraniano, e não em sua eventual ligação direta com a Venezuela. Mesmo assim, o navio não acatou a ordem de parada. Uma das autoridades descreveu o episódio como “uma perseguição ativa”.
No mesmo sábado, a Guarda Costeira dos EUA conseguiu abordar outro petroleiro, o Centuries, também de bandeira panamenha. Esse navio havia sido carregado na Venezuela e seguia para o leste. Fontes ligadas ao setor petrolífero venezuelano afirmaram que a carga pertencia a uma empresa sediada na China. Diferentemente do caso do Bella 1, não havia mandado judicial para apreender o Centuries.
No dia 10, os Estados Unidos já haviam se apossado de outro petroleiro nas proximidades da costa venezuelana, sinalizando uma escalada nas ações de fiscalização marítima. Na última terça-feira, Trump reforçou o tom ao anunciar um “bloqueio total” contra petroleiros que entrem ou saiam da Venezuela sob regime de sanções.
Em resposta, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, publicou um vídeo nas redes sociais criticando duramente as ações americanas. “É muito importante saber a diferença entre piratas e corsários. Os piratas eram grupos privados, que se dedicavam a roubar. Os corsários são piratas contratados por um Estado imperial”, afirmou. Segundo Maduro, a Venezuela enfrenta há 25 semanas uma “campanha de agressão” que inclui “terrorismo psicológico” e “pirataria contra o petróleo do país”.
O episódio amplia a tensão geopolítica no Caribe e reforça o embate entre Washington e Caracas, agora com reflexos diretos sobre o tráfego marítimo internacional e o comércio global de petróleo.
