
Energia: dá para melhorar
*José Renato Nalini
Os “apagões” na cidade de São Paulo evidenciam que é preciso aprimorar o serviço da concessão para o fornecimento de energia elétrica. Um caminho que deve ser encarado com seriedade e determinação é o enterramento da fiação. Não se pense em eliminar as árvores da cidade. Elas constituem a salvação da vida, numa era em que o calor praticamente infernal acaba com a saúde e ceifa preciosas vidas.
Já indaguei à concessionária porque não há um avanço na implementação dos fios subterrâneos. A resposta, reducionista, foi o custo. Um quilômetro de fio aéreo custaria cerca de 400 mil reais; um quilômetro de fiação subterrânea ficaria em 4 milhões. A opção da Enel é a modicidade nas tarifas.
Isso não funciona. A cidade continua frágil e feia, com aquele emaranhado de fios em postes nas esquinas, algo inexistente no mundo civilizado. Uma proposta foi feita por Jerson Kelman, grande especialista em matéria de energia. Ele propõe que a fiação subterrânea seja custeada pelo usuário (FSP, 24.12.25). É um tema a ser discutido. Não falta legislação: o decreto 12.068/2024 permite tarifas diferenciadas por áreas ou bairros. Para resgate de seu patrimônio reputacional, a Enel deveria detalhar o plano de implantação de fiação subterrânea em São Paulo, com um cronograma a ser efetivamente cumprido e para que pudéssemos dizer que estamos melhor do que o Rio. Jerson conta que lá, em Copacabana, a fiação foi enterrada há décadas e que não houve sequer um blackout nos últimos seis anos. Vamos pensar nisso? Quem é que tem outras ideias?
*José Renato Nalini é Secretário Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.
