
El Niño vem aí!
*José Renato Nalini
Quem não acredita em aquecimento global e mudança climática terá este ano mais uma prova de que isso não é ficção. É a mais crua e assustadora realidade. É que se avizinha o fenômeno “El Niño”, que transtorna todo o planeta.

Ele fará com que haja mais seca, menos chuva. Algo que já vem acontecendo ao longo dos anos. Desde que a temperatura do planeta começou a ser registrada, este primeiro quarto do século 21 mostrou-se como tendência de contínua e crescente elevação do calor.
Cada ano é mais quente do que o anterior. Isso significa evaporação mais rápida das águas de que dispomos. Embora três quartos da Terra sejam cobertos de água, é incrível que careçamos de água doce e em condições de consumo.
A desertificação avança, porque somos eficientes fabricantes de deserto. Isso compromete a lavoura, impossibilitando a vida humana que depende de alimentos e de água.
Mais de cento e quarenta milhões de seres humanos já se tornaram refugiados do clima. É uma tragédia ainda não convenientemente avaliada pelo restante da sociedade que se considera a salvo dessas catástrofes.
Segundo os mais respeitados observatórios, o “El Niño” que chegará no próximo semestre será um dos mais intensos dentre todos os que já foram catalogados.
Notícia que implicaria em mudança de atitude individual de cada um de nós: poupar água, não desperdiçar. Plantar árvores, pois estas, as melhores amigas da vida, são fundamentais para equilibrar o regime de chuvas e para garantir temperaturas compatíveis com a fragilidade humana. Adotar providências de alerta, para que não haja perdas de vida. Observar o perigo da desidratação. Cuidar melhor dos mais vulneráveis, principalmente crianças e idosos.
Enfim, é um recado para quem tem juízo. E todos os indivíduos conscientes precisam ser guardiões de seus semelhantes para os quais esse atributo parece faltar, pelo comportamento errático ainda generalizado em todos os lugares.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

