
É preciso estar atento
*José Renato Nalini
Durante mais de meio século, a ciência advertiu a humanidade sobre os riscos do aquecimento global. Ela poderia, já nessa época, adotar melhor caminho do que aquele pelo qual optou. Persistiu no desmatamento, no uso excessivo de combustíveis fósseis. Deu no que deu.
Cada ano é mais quente do que o anterior. As chuvas são sempre inferiores à média histórica. E o pior é que El Niño vai voltar este ano.
Ele vem com ameaça grave: estiagem forte em São Paulo. Agravará a crise hídrica. Fala-se no sistema Cantareira, e negligencia-se o reservatório Guarapiranga, o único abastecido com nascentes locais.
Alvo e vítima de ocupação indiscriminada, ilegal, clandestina e até criminosa, tem onze afluentes a arremessar esgoto in natura que, além das fezes, vitamina para as algas macrófitas, traz cocaína. O tratamento da estação do Alto da Boa Vista não consegue eliminar resíduos fármacos. A situação é de perigo para metade da população paulistana.
O calor faz com que a evaporação seja mais rápida. A previsão é a de que o El Niño seja o mais forte dos últimos cento e quarenta anos. Isso significa não só escassez hídrica, mas verdadeiro colapso.
As perspectivas para o Brasil, de acordo com a ANA – Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico são tétricas. Haverá uma redução de até 40% na disponibilidade hídrica no Brasil até 2040, diante das mutações climáticas e da alteração dos regimes de precipitação.
A tendência é o agravamento das secas e redução das vazões dos rios, com impactos em todo o país, mas principalmente no Sudeste, onde está a maior parte da população.
Por isso, além de fiscalizar a SABESP, que prometeu universalizar o saneamento básico até 2029, é urgente educar a população para que seja prudente no uso e no consumo de água. Não desperdiçar, tratar o esgoto em cada afluente da Guarapiranga, ser prudente e sensato. Algo que nem sempre está no radar e na rotina dos brasileiros.
*José Renato Nalini é Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

