
É nossa chance
*José Renato Nalini
O Brasil é o grande exportador de comodities. Manda a matéria bruta para o exterior, ali os estrangeiros agregam valor e ganham muito dinheiro. Isso tem mais de quinhentos anos. Primeiro o pau-brasil, depois algodão e cana-de-açúcar, depois o café, minerais como o ferro, depois do saque às minas gerais.
Enquanto isso, levaram as seringueiras para a Malásia e nós perdemos a condição de maiores produtores da borracha. O capuaçu foi patenteado fora. E quantas outras preciosidades da maior biodiversidade do planeta já não têm sido apreendidas pelos mais espertos?
Mas quem diz que “Deus é brasileiro”, pode ter razão. Ainda somos detentores da segunda maior reserva mundial de minerais de terras raras, só perdendo para a gigante asiática chinesa. Fornecemos 90% da demanda global de nióbio, mineral para super-condutores, baterias avançadas e ligas metálicas usadas em infraestrutura de IA.
Deus também nos beneficiou com energia limpa, abundante e barata. Quase 90% da matriz elétrica brasileira provêm de fontes renováveis: hidráulica, eólica, solar e biomassa. É uma vantagem competitiva que nenhum outro país detém. Mas parece não importar para grande parte dos homens públicos.
Para aproveitar tudo isso, o brasileiro precisa de um governo eficiente, consciente e desburocratizado. De um Parlamento que pense no povo e não em emendas Pix, emendas de Comissão, emendas secretas, Fundos Partidário e Eleitoral.
A cidadania tem a responsabilidade de escolher bem os representantes tupiniquins para a próxima gestão. Muito juízo para colocar no Parlamento representantes que pensem no povo e não em si mesmos. Não podemos criticar o governo, pois ele sempre está lá porque nós o colocamos.
*José Renato Nalini é Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

