
Drenagem salva vidas
*José Renato Nalini
As obras de drenagem não costumam gerar ibope para os gestores. São intervenções que não deslumbram como pavimentação, abertura de novas vias, pontes e viadutos. Entretanto, elas são essenciais para salvar vidas.
Há terrenos instáveis pela própria natureza. Impróprios para receberem moradias. Infelizmente, a densificação das cidades faz com que áreas que deveriam ser reservadas para abrigar bosques, jardins, florestas, se convertam nos bairros populosos que inundam tantos municípios
Aquilo que aconteceu em Juiz de Fora era perfeitamente previsível. O solo da zona da mata ostenta características que favorecem deslizamentos quando ocorrem chuvas intensas. Em período de verdadeiro cataclismo climático, o descontrole da natureza machucada pela ação humana é evidente. Por isso a administração pública teria de estar preparada e antever as dolorosas consequências ali registradas.
Já o município da Capital, nada obstante a densificação desordenada, ao longo dos séculos, mas, principalmente, nas últimas décadas, tem merecido a atenção da gestão municipal. Os “Cadernos de Drenagem” são repositórios do diagnóstico geológico, hidrológico e de vulnerabilidade social de cinquenta e nove polígonos do território paulistano.

É um trabalho científico, elaborado com muita precisão, que orienta a Prefeitura quanto às prioridades a serem adotadas diante da inclemência do clima desregulado. Grande investimento se fez nos últimos quatro anos e ele continua a ocorrer, tudo para evitar mais mortes. Cada vida é preciosa e por isso a preocupação com as mudanças climáticas, mais do que uma inspiração ecológica, é uma política estatal de tutela da vida humana.
O plantio maciço de árvores também é uma política pública destinada a recompor a regularidade climática e a assegurar a redução da temperatura cada vez mais elevada e que ceifa vidas desnecessariamente, de forma precoce e paradoxal, quando a ciência da medicina assegura longevidade nunca dantes conquistada.
Preste atenção: drenagem salva vidas. Não é apenas um programa de governo. É muito mais do que isso.
*José Renato Nalini é Secretário-Executivo de Mudanças Climáticas de São Paulo.
