
Dia do Fusca: o carro que virou afeto, memória e símbolo de gerações
Reportagem especial do jornalista automotivo Walter Westphal para a São Paulo TV
Hoje é dia de celebrar um automóvel que ultrapassou o asfalto e estacionou definitivamente na memória afetiva do Brasil e do mundo. O Dia do Fusca não é apenas uma data para entusiastas: é um tributo a um carro que ensinou gerações inteiras a dirigir, viajar, trabalhar, sonhar — e, muitas vezes, a insistir.

Criado para ser simples, robusto e acessível, o Volkswagen Fusca acabou se tornando um fenômeno cultural. Poucos veículos alcançaram algo tão raro: ser reconhecido por quem entende de mecânica, por quem não entende nada de carro, por crianças, avós, colecionadores e até pelo cinema. O Fusca não precisava de propaganda sofisticada. Ele se explicava sozinho.
No Brasil, o Fusca foi mais do que um sucesso comercial. Foi carro de família, de estudante, de trabalhador, de recém-casados e de aventureiros improvisados. Cabia tudo: malas, histórias, risadas, cachorro, mudança de casa e, às vezes, até esperança. Seu motor traseiro, o ronco inconfundível e a resistência quase teimosa criaram uma reputação lendária: o Fusca não quebra — ele apenas pede um tempo.
O carinho popular atravessou décadas. Mesmo após sair de linha, o modelo nunca saiu das ruas nem do imaginário coletivo. Clubes de colecionadores se multiplicaram, encontros viraram eventos familiares, e cada Fusca restaurado passou a carregar não apenas tinta nova, mas lembranças reavivadas. Há Fusca original, Fusca customizado, Fusca rebaixado, Fusca de corrida, Fusca de exposição e Fusca que continua firme na rotina diária, desafiando o calendário.

No cinema e na cultura pop, o modelo também ganhou status de personagem. Difícil esquecer Herbie, o Fusca mais famoso do mundo, que ajudou a transformar o carro em símbolo de personalidade, simpatia e espírito rebelde. Não era apenas um veículo: era quase um amigo com rodas.
Hoje, celebrar o Dia do Fusca é reconhecer que nem toda inovação precisa ser futurista para ser relevante. Às vezes, o que permanece é justamente aquilo que foi feito com simplicidade, propósito e inteligência mecânica. Em um mundo de carros cada vez mais silenciosos, digitais e cheios de telas, o Fusca segue lembrando que dirigir também pode ser uma experiência emocional.
O Fusca não foi só um carro. Foi o primeiro de muitos. Foi o último a ser vendido com dificuldade. Foi o carro que nunca saiu de moda porque nunca tentou segui-la. E talvez esteja aí o segredo de sua eternidade.
Hoje, buzinas tocam diferente, motores refrigerados a ar ganham destaque e histórias voltam a circular. Porque enquanto houver memória, afeto e estrada, o Fusca seguirá rodando — nem sempre rápido, mas sempre adiante.
