
DIA DAS CRIANÇAS: A DATA QUE REVELA O BRASIL – ECONOMIA, RELIGIÃO, CULTURA, DESIGUALDADE E A ESPERANÇA QUE MANTÉM O FUTURO VIVO
Reportagem Especial – Chefia de Redação da São Paulo TV Broadcasting
Por Bia Ciglioni, Bene Corrêa e Walter Westphal
O Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, é mais do que um dia de presentes e brincadeiras: é um espelho do Brasil. A data movimenta a economia, mobiliza a fé, ativa a cultura popular, expõe as desigualdades sociais e, ao mesmo tempo, reacende a esperança que só a infância é capaz de manter viva. Quando olhamos para este dia com profundidade, descobrimos que ele diz muito sobre quem fomos, quem somos e quem poderemos ser.
Do ponto de vista econômico, o Dia das Crianças é uma das datas mais fortes do comércio brasileiro, perdendo apenas para o Natal. A Confederação Nacional do Comércio estima movimentação de bilhões de reais em brinquedos, tecnologia, vestuário, viagens, alimentação, parques e entretenimento. Shoppings ficam lotados, parques temáticos esgotam ingressos e o turismo interno cresce por causa do feriado prolongado. Mas o que torna essa data única é que a economia é movida pelo afeto. As pessoas não compram apenas produtos; elas compram alegria, memória, pertencimento. O dinheiro circula porque existe amor. É a economia do cuidado.
Mas o Brasil é também um país de fé. 12 de outubro não é apenas Dia das Crianças: é Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Milhões de fiéis participam de romarias, missas e procissões. A fé e a infância se encontram nessa data porque ambas representam pureza, confiança e proteção. Famílias acordam cedo para agradecer, rezar e pedir benção para os filhos. Para muitos, o dia começa no altar e termina no parque. A imagem de Aparecida, encontrada por pescadores pobres, simboliza o que toda criança representa: esperança em meio à dificuldade. A fé, neste dia, se torna também um ato de responsabilidade: cuidar da infância é cuidar do sagrado.
Entretanto, o Brasil das vitrines e das festas convive com o Brasil invisível das estatísticas. Segundo a UNICEF, o país tem mais de 32 milhões de crianças e adolescentes. Destas, cerca de 40% vivem em situação de pobreza ou extrema pobreza. São mais de 13,5 milhões de crianças em lares com insegurança alimentar. 2,4 milhões estão fora da escola. 1 em cada 3 sofre algum tipo de violência. Entre 6 e 8 crianças são assassinadas por dia no Brasil. Crianças negras têm três vezes mais chance de morrer por violência do que crianças brancas. Milhares estão em trabalho infantil, exploração sexual ou vivendo em áreas dominadas pelo tráfico. A infância, que deveria ser protegida, muitas vezes é sobrevivência. Esses dados transformam o Dia das Crianças em um alerta moral: não existe celebração verdadeira enquanto milhões de crianças não têm o básico — comida, cuidado, escola, proteção, amor.
Mesmo assim, a infância é o lugar onde nasce a força mais poderosa da humanidade: a esperança. Quando somos crianças, acreditamos que tudo é possível. Sonhamos sem limites. Confiamos nas pessoas. Enxergamos o mundo com encantamento. A vida adulta, muitas vezes, apaga esse brilho. Mas o Dia das Crianças nos lembra: o futuro só existe porque alguém continua acreditando. Fé não é só religiosidade — é acreditar no amanhã. E nenhuma sociedade sobrevive sem esperança. Toda criança que sonha é uma semente de futuro plantada no presente.
Por isso, esta data também fala sobre responsabilidade. Ser pai, mãe ou responsável vai muito além de dar presentes. É educar com valores, dar exemplo, ouvir, proteger, orientar, inspirar. As crianças aprendem mais com o que veem do que com o que escutam. A forma como tratamos os outros, como reagimos às dificuldades e como enfrentamos a vida constrói o caráter de quem está crescendo. Cada criança é um projeto de futuro. A pergunta é: o que o Brasil está entregando como base para esse futuro?
Não se trata apenas de família. A sociedade inteira tem dever com a infância. Governos precisam garantir educação de qualidade, saúde, alimentação, espaços seguros, cultura e lazer. Empresas precisam investir em responsabilidade social. A mídia precisa dar voz às crianças. Políticas públicas para a infância não são gasto: são investimento no país. Uma nação que abandona suas crianças é uma nação sem futuro. Uma nação que protege suas crianças é imbatível.
E existe algo que o dinheiro não compra: presença. Brinquedos quebram, roupas passam, tecnologia envelhece, mas o amor permanece. Mais do que dar algo, é preciso estar junto. Brincar junto, conversar, ouvir, construir memórias. O maior presente que uma criança pode receber é sentir-se amada e acreditada. A infância não deve ser apenas lembrada com nostalgia. Ela precisa ser protegida com coragem.
O Dia das Crianças revela o Brasil que consome, o Brasil que reza, o Brasil que brinca, o Brasil que sofre e o Brasil que sonha. É uma data que mostra não apenas a alegria da infância, mas também a urgência de garantir que todas as crianças tenham o direito de viver plenamente essa fase. Celebrar o Dia das Crianças é muito mais do que festejar: é assumir um compromisso com o futuro. Porque cuidar de uma criança é cuidar de um país inteiro.
No fim, a grande lição é simples e profunda: toda criança que sorri nos lembra que o amanhã ainda pode ser melhor. Toda criança que brinca nos prova que a esperança continua viva. Toda criança que acredita nos ensina que a fé não é um ritual — é uma força que transforma o mundo. O Dia das Crianças não é apenas sobre elas. É sobre nós. Sobre quem decidimos ser como nação. Sobre o futuro que estamos dispostos a construir. Cuidar das crianças é cuidar do amanhã. E esse é o ato mais poderoso de amor, responsabilidade e fé que o Brasil pode realizar.

A ECONOMIA DO AMOR: UMA DAS MAIORES DATAS DO COMÉRCIO BRASILEIRO
O Dia das Crianças movimenta mais dinheiro do que o Dia dos Pais e até se aproxima do Natal em alguns setores. A Confederação Nacional do Comércio estima bilhões em vendas. Brinquedos lideram, mas o comportamento do consumidor mudou: celulares, tablets, videogames, roupas, calçados, assinaturas de streaming, ingressos para parques, cinemas e viagens também fazem parte do pacote.
Shopping centers registram alta de público, parques temáticos esgotam ingressos e o turismo interno cresce, com muitas famílias aproveitando o feriado prolongado. Pequenos comerciantes e ambulantes também se beneficiam, mostrando que a data aquece a economia em todas as camadas sociais.

Mas há uma diferença fundamental: o consumo neste dia é emocional. Pais e responsáveis compram movidos pelo desejo de ver seus filhos felizes. A economia gira movida pela conexão humana.
FÉ E IDENTIDADE: O ÚNICO PAÍS DO MUNDO QUE UNE INFÂNCIA E DEVOÇÃO
12 de outubro também é Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Em nenhum outro país o Dia das Crianças coincide com uma data religiosa nacional. Isso diz muito sobre a alma brasileira.
Milhões de devotos participam de missas, procissões e romarias. O Santuário de Aparecida recebe mais de 150 mil pessoas apenas nesta data. Para muitas famílias, o feriado começa na igreja e termina na celebração com os filhos.
A imagem de Aparecida, encontrada por pescadores humildes, simboliza proteção, esperança e cuidado – os mesmos sentimentos que desejamos para nossas crianças.
Infância e fé caminham juntas, porque ambas representam pureza, confiança e futuro.

CULTURA, BRINCADEIRA E PERTENCIMENTO
O Dia das Crianças é também um grande evento cultural. Parques públicos, centros culturais, prefeituras e ONGs promovem atividades gratuitas. Sessões de cinema, apresentações de teatro, jogos esportivos, shows, contações de histórias, oficinas educativas…
É um dia em que o Brasil se esforça para garantir que, pelo menos por algumas horas, as crianças sejam apenas crianças. Brincar não é luxo: é direito. E brincar também fortalece identidade, criatividade e convivência social.
A REALIDADE QUE NÃO PODE SER IGNORADA
Por trás das comemorações, existe um Brasil que ainda precisa ser visto.
• 40% das crianças vivem em famílias de baixa renda.
• Milhares estão fora da escola.
• Muitas sofrem violência doméstica, abusos ou trabalho infantil.
• A fome ainda atinge milhões de lares.
Enquanto algumas crianças ganham brinquedos caros, outras precisam de comida, abrigo e proteção. Por isso, especialistas afirmam: o Dia das Crianças também é um alerta social.
Não basta festejar a infância. É preciso defendê-la
ESPERANÇA: O PODER QUE NASCE NO OLHAR INFANTIL
Quando somos crianças, acreditamos sem medo. Confiamos que o bem vence. Sonhamos com um mundo justo. Essa pureza não é ingenuidade — é força criadora. É a base de toda inovação, arte, ciência e mudança social.
A vida adulta nos ensina a duvidar. A infância nos ensina a crer. O Dia das Crianças nos convida a resgatar essa coragem de sonhar grande.
Ter fé não é apenas religioso. É acreditar na vida, no amor, na educação, na justiça e na transformação.

O PAPEL DOS PAIS, DAS FAMÍLIAS E DA SOCIEDAD
Ser pai, mãe ou responsável vai muito além de dar presentes.
É ensinar valores.
É proteger.
É ouvir.
É orientar.
É ser exemplo.
As crianças aprendem muito mais com o que observam do que com o que escutam. Elas percebem como lidamos com crises, como tratamos os outros, como enfrentamos problemas. Cada gesto dos adultos constrói a visão de mundo de uma criança.
Se queremos um país melhor, precisamos formar seres humanos melhores.

PRESENTE OU PRESENÇA? O QUE FICA PARA SEMPRE
Brinquedos quebram.
Roupas passam.
Tecnologia envelhece.
Mas afeto, tempo compartilhado e memórias duram para sempre.
No fim das contas, a maior necessidade de uma criança não é ganhar algo — é ser amada, respeitada e incentivada a acreditar em si.
POR QUE ESTA DATA IMPORTA PARA O BRASIL?
Porque ela conecta tudo o que somos:
• potência econômica,
• nação de fé,
• diversidade cultural,
• país de contrastes,
• povo de esperança.
O Dia das Crianças é uma radiografia do Brasil. Ele mostra nossos avanços e nossas falhas. Mostra nossa sensibilidade e também nossa responsabilidade.
CONCLUSÃO: CUIDAR DAS CRIANÇAS É CUIDAR DO AMANHA

Celebrar o Dia das Crianças não é apenas comemorar uma data. É afirmar um compromisso com o futuro.
Quando investimos na infância, investimos no desenvolvimento social, na educação, na paz, na economia e na construção de um país mais justo.
Porque cada criança carrega dentro de si um Brasil possível.
E toda vez que elas acreditam, nós também voltamos a acreditar.
