
Cratera na Consolação expõe embate entre Prefeitura, Enel e Comgás; estudos mostram que solo aquecido pode indicar falha elétrica
Por Redação – São Paulo TV
A cratera aberta na Rua da Consolação, no trecho entre a Rua Maceió e a Avenida Paulista, no centro da capital, segue interditada no sentido bairro nesta segunda-feira (2). O episódio desencadeou um embate público entre o prefeito Ricardo Nunes e as concessionárias Enel e Comgás, enquanto a causa exata da explosão ainda não foi oficialmente confirmada.

Segundo o prefeito, há indícios de que a ocorrência possa estar relacionada à rede subterrânea de energia. “Se constatado que é a Enel — o que me parece que sim — eu vou cobrá-los”, afirmou. Ele criticou o tempo de resposta da concessionária, dizendo que a primeira equipe teria chegado quase 12 horas após o registro da explosão. A Enel negou responsabilidade direta e informou que não houve dano na rede elétrica. A empresa afirmou que os cabos subterrâneos estão intactos e que suas medições detectaram presença de gás inflamável no local. Já a Comgás declarou ter realizado duas inspeções técnicas e descartou vazamento de gás natural canalizado, destacando que não foram encontrados traços de etano ou outros componentes característicos do gás natural.
A Secretaria Municipal das Subprefeituras acompanha a ocorrência, enquanto a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) implantou faixa reversível na Avenida Angélica para mitigar os impactos viários. Não há prazo definido para a recomposição asfáltica.
Solo aquecido pode causar explosão?
Um dos pontos que chamou atenção foi o registro prévio de “aquecimento do piso” na noite anterior ao acidente, conforme relato da Enel. A pergunta técnica é inevitável: o solo pode aquecer a ponto de provocar uma explosão?
Do ponto de vista físico, sim — mas sob condições específicas.
Cabos elétricos subterrâneos de média e alta tensão geram calor quando submetidos a sobrecarga, falhas de isolamento ou curto-circuito. Esse fenômeno é conhecido como efeito Joule: quando a corrente elétrica atravessa um condutor com resistência, parte da energia se dissipa em forma de calor. Em sistemas modernos, os cabos são projetados com isolamento térmico e limites de carga precisamente calculados. Contudo, se houver falha no isolamento, infiltração de água ou degradação do material ao longo do tempo, pode ocorrer superaquecimento localizado. Em situações extremas, isso pode provocar:
- carbonização de dutos;
- ruptura de cabos;
- ignição de gases acumulados em galerias subterrâneas.
Importante destacar: cabos elétricos enterrados, isoladamente, não “explodem” como uma tubulação pressurizada. O que pode ocorrer é a ignição de gases presentes no subsolo — como metano, vapores de solventes ou até gases oriundos de matéria orgânica em decomposição — caso haja uma faísca ou arco elétrico.
E o gás?
A Comgás afirma que não identificou vazamento de gás natural. O gás natural distribuído na capital contém metano como principal componente e traços detectáveis de etano, o que facilita a identificação técnica por sensores específicos. A Enel, por sua vez, relatou a presença de “gás inflamável”, sem especificar a origem.
