
CPI do Crime Organizado é instalada no Senado, com petista na presidência
Da redação da São Paulo Tv com informações de O Globo e UOL
O Senado instalou nesta terça-feira (4) a CPI do Crime Organizado, criada para investigar a atuação de facções e milícias em todo o país.
A comissão será presidida pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES) . A escolha foi considerada uma vitória da base governista.

Foram 6 votos para o petista contra 5 votos para o senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), eleito vice-presidente, por aclamação.
O pedido de CPI é de 17 de junho, mas o Senado não se mobilizou. O assunto só ganhou prioridade com a megaoperação da polícia no Rio de Janeiro.
A instalação só foi marcada na quarta passada, dia seguinte ao confronto que deixou 121 mortos. Desde então, governistas e oposição começaram uma disputa nos bastidores para conseguir ter o presidente da comissão.
A CPI pretende investigar o crime organizado, com foco no Comando Vermelho e no Primeiro Comando da Capital 9 PCC).
O objetivo é entender a estrutura, o funcionamento e como se deu a expansão das facções. Os trabalhos devem durar 120 dias, mas podem ser prorrogados por mais 60 dias.
Articulação dos governistas
Para evitar nova derrota, como ocorreu na instalação da CPI do INSS, em agosto, quando o senador Carlos Viana (Podemos-MG) foi eleito presidente à revelia da base, os governistas articularam trocas entre os membros do colegiado entre ontem e hoje.
Com a manobra, conseguiram substituir o senador Nelsinho Trad (PSD-MG) pelo senador Angelo Coronel (PSD-BA), mais fiel ao Executivo.
A oposição não ficou satisfeita com a presença de um petista no comando. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que os governistas não assinaram o pedido de instalação da comissão e mesmo assim ficaram com a presidência.
Contarato já divergiu do PT sobre segurança e afirmou que será fiel a seus ideais. Em discurso antes da eleição do presidente da CPI, ele declarou que os políticos não devem ser igualados por pertencer a um partido e lembrou que foi delegado por 27 anos.
O senador votou pelo fim da “saidinha” de presos e foi contra o veto de Lula sobre o assunto. Ele justificou que não acha o benefício razoável.
MDB na relatoria
O relator será o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). A escolha dele foi consenso entre governistas e oposição. Ele foi o parlamentar que sugeriu a criação da comissão.
O parlamentar promete uma condução técnica dos trabalhos. Vieira adiantou que a lista de depoimentos terá governadores, secretários de Segurança Pública, especialistas e moradores de comunidades vítimas de violência.
Interesses políticos e eleitorais podem comprometer o caráter técnico. A comissão foi instalada a menos de um ano da eleição e vai tratar de um assunto cercado de polarização, em que a estratégia Lula não tem aprovação da maioria da população.
A direita enxerga uma oportunidade de conquistar apoio e votos, além de mudar a agenda nacional, deixando em segundo plano o tarifaço e as atitudes de Eduardo Bolsonaro no Estados Unidos.
A oposição escalou Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a comissão. Ele é presidente da Comissão de Segurança Pública do Senado e, desde a megaoperação, o senador busca colar no governo a marca de quem defende bandido.
Os governistas são maioria e escalaram um time de peso. O líder do PT no Senado (Rogério Carvalho) foi outro indicado.
Os 11 integrantes da CPI estão distribuídos da seguinte maneira:
Governistas
Rogério Carvalho (PT-SE);
Fabiano Contarato (PT-ES) – presidente;
Otto Alencar (PSD-BA);
Angelo Coronel (PSD-BA);
Jorge Kajuru (PSB-GO)
Oposição
Márcio Bittar (PL-AC);
Flávio Bolsonaro (PL-RJ);
Magno Malta (PL-ES);
Marcos do Val (Podemos-ES);
Hamilton Mourão (Republicanos-RS)
Relator
Alessandro Veira (MDB-SE)
O que disse Fabiano Contarato (PT-ES), presidente da CPI do Crime Organizado:
“A segurança pública não deve ser uma pauta apenas da direita, nem uma bandeira exclusiva de conservadores. É uma obrigação de todos os que acreditam na vida, na justiça e na dignidade”
“Não permitirei que o debate sobre segurança pública seja sequestrado por discursos fáceis e populistas. O combate ao crime organizado exige seriedade e inteligência, não pirotecnia.”
“O progressismo, para mim, é exatamente o oposto, enfrentar a realidade de frente, não ignorá-la. Eu acredito, sim, na ressocialização, mas não acredito em impunidade disfarçada de compaixão. O que me move é a defesa da vida, da justiça, da verdade, não conveniência política”.
“Essa operação escancarou uma realidade ainda mais difícil. Ela não foi a única operação que vitimou pessoas inocentes ou aprofundou o sofrimento de quem vive nas comunidades. Crianças continuam morrendo em tiroteios, motoristas e passageiros são assassinados por entrarem nas comunidades sem saber das regras impostas, e moradores vivem como reféns das facções que controlam o território. Por mais que as operações sejam necessárias, jamais podemos comemorar a morte de qualquer pessoa. A morte, em todos os casos, evidencia um fracasso do poder público, diante de todas as instituições que compõem o sistema de segurança pública.”
