
COP 31 interessa a São Paulo
*José Renato Nalini
O principal objetivo da COP31, que será realizada na Turquia entre 9 e 20 de novembro é incentivar medidas para diminuir a geração de lixo. Isso interessa muito a São Paulo, responsável pela produção diária de mais de quinze mil toneladas de lixo doméstico.
O lixo, sabem os civilizados, já não se chama lixo. É resíduo sólido, porque tem valor econômico. A reciclagem torna aproveitáveis quase tudo aquilo que as pessoas pensam “jogar fora”. Como disse o Papa Francisco, na Encíclica “Laudato Si”, não existe o conceito de “jogar fora”. Estamos sempre jogando dentro da Terra, esta frágil e comprometida esfera que já foi azul e vai se tornando cinza, de tanto desperdício.
As quinze mil toneladas diárias de resíduos sólidos não se transformam em compostagem, fertilizantes, biometano ou em material para insumo em produção de outros bens. Quase tudo vai para aterro sanitário, porque a população que consome demais, desperdiça demais, não sabe descartar o seu resíduo.
A coleta seletiva passa em todos os logradouros públicos da capital. Mesmo assim, a perda é quase total: menos de 3% chega à reciclagem, e isso por causa do heroísmo de catadoras e catadores. Embora o lixo não seja o principal vilão pela crise climática, ainda assim, em 2019, lançou à atmosfera 2,3 bilhões de toneladas de dióxido de carbono, a medida padrão dos gases do efeito estufa. Isso equivale a 4% das emissões globais e ao dobro da poluição da aviação, que respondeu por 2% no mesmo período.
São Paulo terá muito a mostrar e a aprender na Turquia, durante a COP31. O ideal seria copiar a China, que construiu mais de mil UREs – Unidades de Regeneração Energética. Tudo o que não se aproveita é incinerado e produz eletricidade, além do subproduto de um tijolo ecológico. Chegaremos lá? Se depender do Prefeito Ricardo Nunes, visionário criador da SECLIMA, a resposta é “SIM”.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

