
Congonhas pode voltar ao mapa internacional: aeroporto deve pedir retomada de voos para fora do Brasil ainda em 2026
Por Redação São Paulo TV Broadcasting fonte o Estado de São Paulo
O histórico Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital paulista, pode estar prestes a virar uma página importante de sua própria história. A concessionária Aena, responsável pela administração do terminal, deve formalizar ainda em 2026 o pedido para que Congonhas volte a operar voos internacionais regulares de passageiros — algo que não acontece desde 1985.
Caso a solicitação seja aprovada pelos órgãos federais e haja interesse efetivo das companhias aéreas, a expectativa é que os primeiros voos internacionais partam de Congonhas a partir de 2028, após a conclusão das obras de ampliação e modernização do aeroporto, que incluem a entrega de um novo terminal de passageiros.

A possibilidade ganhou força após a Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC) emitir parecer favorável à internacionalização, reconhecendo o alinhamento do projeto com a Política Nacional de Aviação Civil e com as diretrizes de fortalecimento da conectividade aérea do país.
Segundo a concessionária, o foco inicial seria em rotas de curta e média distância na América do Sul, como Buenos Aires, na Argentina, e Montevidéu, no Uruguai — destinos considerados compatíveis com a infraestrutura, o perfil operacional e a localização estratégica de Congonhas.
Etapas e critérios técnicos
O processo, no entanto, é complexo e passa por uma série de análises. A Agência Nacional de Aviação Civil deverá avaliar a proposta com base em critérios como eficiência operacional, qualidade do serviço, investimentos previstos e boas práticas de tarifação, além do interesse dos usuários.
Além da Anac, outros órgãos federais precisam se manifestar, incluindo a Receita Federal (alfandegamento), Polícia Federal (controle migratório), Anvisa (saúde pública) e Vigiagro (vigilância agropecuária). Somente após o cumprimento dessas exigências o pedido poderá ser formalmente aprovado.
Em ofício datado de 17 de dezembro de 2025, a Secretaria Nacional de Aviação Civil destacou que estimular o trânsito internacional de pessoas e cargas é uma ação estratégica para o desenvolvimento da aviação brasileira. O documento foi assinado por Clarissa Costa de Barros, secretária nacional substituta da pasta.
Um aeroporto histórico, agora mirando o futuro
Inaugurado em 1936, Congonhas já foi porta de entrada internacional de São Paulo até 1985, quando as operações externas foram transferidas para o Aeroporto Internacional de Guarulhos. Atualmente, o terminal registra um fluxo diário que pode ultrapassar 70 mil passageiros, sendo um dos aeroportos mais movimentados do país.
Desde 2020 no Brasil, a Aena administra 17 aeroportos, responsáveis por cerca de 20% do tráfego aéreo nacional, incluindo terminais em capitais como Recife, Maceió, João Pessoa, Campo Grande e Aracaju.
Embora o contrato de concessão não trate diretamente da internacionalização, ele permite que a concessionária proponha novos compromissos de infraestrutura e serviços, desde que haja aprovação prévia da Anac e dos demais órgãos competentes.
“Passo importante para São Paulo”, diz Aena
Para o diretor executivo do Aeroporto de Congonhas, Kleber Meira, a iniciativa representa mais do que uma mudança operacional.
“A internacionalização de Congonhas é um passo importante dentro do projeto de modernização do aeroporto da capital paulista. A conveniência de termos um aeroporto internacional central, eficiente, rápido e altamente pontual, com um novo terminal moderno e confortável, abre uma enorme oportunidade de ampliar a conectividade, impulsionar o desenvolvimento econômico e fortalecer a integração regional”, afirmou em nota.
Se concretizado, o retorno dos voos internacionais a Congonhas recoloca o aeroporto no centro da estratégia aérea da maior metrópole do Hemisfério Sul — não como um rival de Guarulhos, mas como um complemento urbano, ágil e estratégico para a integração sul-americana.
