
Chico Ledo estreia na São Paulo TV com a coluna “O Negócio da Causa”
Novo colunista vai discutir gestão, captação de recursos e a relação entre organizações sociais, empresas e poder público
A São Paulo TV dá as boas-vindas a Chico Ledo, que estreia a coluna “O Negócio da Causa”. Toda semana, ele vai trazer uma visão direta dos desafios enfrentados por quem lidera uma ONG, uma associação ou um instituto: como manter uma iniciativa de pé, negociar parcerias e transformar propósito em resultados.
Na estreia, Chico lança a provocação que guiará a coluna: boa vontade é essencial, mas uma causa também precisa de gestão e estratégia para continuar existindo. Com passagens pela gestão pública e pelo terceiro setor, ele promete compartilhar experiências, explicar caminhos de financiamento e abrir discussões que interessam tanto às organizações quanto às empresas.
É uma leitura para quem trabalha com impacto social — e também para quem quer conhecer melhor o que acontece por trás de cada projeto. Seja bem-vindo, Chico Ledo. Nossos leitores vão gostar de acompanhar essa conversa.
O Negócio da Causa
Coluna de estreia · Por Chico Ledo · Coluna 001/2026
Vou começar sendo direto, porque é assim que gosto de trabalhar: se você dirige uma ONG, uma associação ou um instituto e ainda acredita que uma empresa vai apoiar sua causa apenas por bondade, leia esta coluna até o fim.
Empresas têm compromissos, orçamento e metas. Quando decidem apoiar um projeto social, também avaliam o que aquela parceria representa para sua atuação, sua marca e sua relação com a comunidade. Entender isso é um passo para deixar de apenas pedir recursos e começar a negociar parcerias.
Em 2022, aos 23 anos, assumi a subsecretaria de favelas da minha cidade. Foi uma experiência intensa de administração de recursos públicos, equipes e prazos. Desde então, passei a dirigir o Instituto Melo Cordeiro, montei uma empresa de comunicação, tornei-me presbítero — uma liderança espiritual na minha igreja — e professor. Também trago para esse percurso minhas formações como jornalista e neurocientista.
Ao atravessar os mundos público, privado e espiritual, aprendi uma lição: uma causa social precisa saber se organizar, comunicar seu valor e construir relações duradouras. Sem foco e estratégia, até uma iniciativa necessária pode perder a capacidade de continuar seu trabalho.
Um setor grande que precisa falar de gestão
O terceiro setor brasileiro reúne organizações de diferentes tamanhos e áreas de atuação. Seu trabalho chega à educação, à saúde, à cultura, à assistência social e a muitas outras frentes. A dimensão desse universo mostra por que não basta tratá-lo como uma atividade ocasional movida apenas pela boa vontade.
Muitas organizações trabalham com equipes pequenas e poucos recursos. Quem as lidera precisa cuidar da missão social e, ao mesmo tempo, lidar com orçamento, prestação de contas, comunicação e captação. É uma tarefa exigente, que merece preparo.
A bondade pode ser a sua motivação, mas ela, sozinha, não garante a sustentação da sua causa.
Parceria, não caridade
Esta coluna nasce dessa provocação. Toda semana, vou puxar um fio: um mito do terceiro setor que precisa ser discutido; um mecanismo de financiamento ou incentivo que merece uma explicação clara; ou um bastidor real de gestão, negociação e captação.
Vamos falar de editais públicos, Lei Rouanet, Lei de Incentivo ao Esporte e outros caminhos que podem apoiar projetos. Também vamos falar das dificuldades: uma proposta que precisa ser refeita, uma parceria que demora a sair do papel, uma organização que tem uma boa ideia, mas ainda precisa estruturar sua operação.
Se você lidera uma causa, quero ajudar você a apresentar melhor o valor do seu trabalho. Se você representa uma empresa, quero mostrar o que torna uma parceria social consistente. E, se você tem curiosidade sobre esse universo, seja bem-vindo: há muito para conhecer.
O que vem por aí
Nas próximas edições, vamos discutir o que significa uma organização sem fins lucrativos e por que isso não impede uma gestão financeira sólida. Vamos examinar como funcionam os incentivos fiscais e o que aprendi sobre poder e responsabilidade ao assumir uma função pública aos 23 anos.
Uma causa precisa de compromisso com as pessoas que atende. Precisa também de planejamento para seguir atendendo. É sobre essa combinação que vamos conversar aqui, semana após semana.
Até a próxima.

