
Chega de imundície
*José Renato Nalini
É incrível, verdadeiramente surreal, saber que a cidade de São Paulo produz, a cada dia, incríveis quinze mil toneladas de lixo. Hoje, o lixo é chamado de resíduo sólido, porque, à luz da economia circular, pode valer dinheiro e atender à cultura da logística reversa.
Ocorre que entre o discurso e a prática, um enorme fosso os separa. Embora a coleta seletiva seja uma realidade que atende a totalidade da população paulistana, o percentual de reciclagem é insignificante. Não havendo a separação entre os resíduos orgânicos e os secos, tudo se compacta e vai engrossar as camadas de imundície dos aterros sanitários.

Os resíduos orgânicos, que se decompõem e apodrecem, podem ser transformados em fertilizantes, servir para compostagem ou para a fabricação de gás biometano. Um gás natural, não fóssil e, portanto, não tóxico. Já os resíduos secos podem ser reutilizados, reaproveitados, reciclados, recuperados. Isso vale dinheiro, em ambas as destinações.
É urgente uma educação ecológica da população, para que saiba cuidar melhor desse grande problema de todas as cidades do mundo. É preciso consumir menos, desperdiçar menos, descartar corretamente.
Na Encíclica “Laudato Si”, o Papa Francisco, saudoso Pontífice ecológico, afirmou que não existe o conceito de “jogar fora”! Tudo aquilo que se lança ao solo ou à água, está aqui mesmo neste frágil planeta. O único disponível para que tenha permanência e continuidade a esplêndida aventura humana.
Procure conscientizar alguém que ainda não sabe descartar o que desperdiça e seja um cidadão prestante a um dos mais sérios e graves problemas hoje enfrentados pela humanidade.
Sigamos o exemplo de muitos países onde descartar equivocadamente acarreta uma sanção pecuniária pesada, forma eficiente de educar quem não se importa de emporcalhar o mundo. Chega de imundície! É uma questão de saúde pública e de sobrevivência no planeta Terra.
*José Renato Nalini é Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.
