
Centro de São Paulo recebe em novembro a exposição “Mãos Negras é o Café – Descendentes de uma Viagem Afro-Atlântica”
Da Redação da São Paulo Tv jornalista Bene Correa e Bia Ciglioni fotos Roberto Esteves Reporte Fotográfico
Exposição no Espaço Cultural Viva Arouche é gratuita e inaugura em 8 de novembro, às 11
Novembro, mês dedicado à memória e à reflexão da herança africana no Brasil, ganha em 2025 uma nova vitrine no centro de São Paulo. Dentro da programação do Mês da Consciência Negra — instituído no Estado de São Paulo para valorizar a cultura afro-brasileira — estreia no dia 8 de novembro (sábado), a partir das 11 h, a exposição “Mãos Negras é o Café – Descendentes de uma Viagem Afro-Atlântica”, com visitação gratuita no Espaço Cultural Viva Arouche (Rua do Arouche, 126 – Centro, São Paulo).

A mostra é resultado de uma parceria entre o jornalista, produtor cultural, historiador e escritor Maurício Coutinho e o repórter fotográfico Roberto Esteves, profissional com trajetória em grandes jornais e revistas da capital. A proposta se baseia em antropologia visual para revelar as “mãos negras” – ou seja, os africanos e seus descendentes – na cadeia histórica do café no Brasil: não somente como força de trabalho, mas como portadores de saberes, tradições e cultura
Por que “o café” e por que as “mãos negras”?
O café foi uma das principais engrenagens da economia brasileira desde o período imperial. No Império do Brasil, por exemplo, o símbolo do ramo de café aparecia na bandeira nacional, ilustrando sua importância. No entanto, a narrativa convencional tende a esquecer que as pessoas negras – escravizadas, libertas ou descendentes – foram fundamentais em todo o ciclo cafeeiro: do cultivo e colheita à manutenção da produção, muitas vezes em condições duras e pouco reconhecidas.
A exposição convida a refletir esse legado: as mãos que trabalharam os grãos, cuidaram das plantações, mantiveram culturas, perceberam detalhes, transformaram-se em guardiãs desse patrimônio. Como afirma Maurício Coutinho: “Mais do que uma exposição, é um ato de reconhecimento, uma reverência à ancestralidade e à dignidade do povo negro que construiu a base da nossa história.” Já Roberto Esteves observa: “Meu olhar não busca apenas a estética, mas a verdade viva de cada rosto, gesto e cenário que compõe essa trajetória tantas vezes invisibilizada.”
Importância simbólica e política
A escolha de novembro não é aleatória. No dia 20 de novembro, celebra-se nacionalmente o Dia Nacional da Consciência Negra, data que remete à morte de Zumbi dos Palmares (em 1695) e que foi instituída pela Lei nº 12.519/2011, embora sua oficialização como feriado ocorra em diferentes estados e municípios. A data mobiliza debates sobre racismo, desigualdade, cultura afro-brasileira e direitos humanos.

“Mãos Negras é o Café” propõe uma viagem pela ancestralidade e resistência negra no Brasil, partindo do grão que embalou uma economia e moldou territórios. A exposição estreia em 8 de novembro no Viva Arouche e convida todos a reconhecerem, com olhar vivo e sensível, a força cultural das mãos que trabalharam o café — e que continuam a trabalhar em nossas memórias e identidades, finaliza Esteves.
Em São Paulo, o mês como um todo ganha visibilidade para lembrar que a contribuição da população negra vai além da economia: ela permeia a arte, a música, a culinária, a ciência, a cultura urbana. Nesse contexto, ancorar a reflexão a um símbolo como o café — que movimentou riquezas e redes de produção — permite subverter a narrativa dominante e dar visibilidade a vozes e imagens que historicamente ficaram nas bordas.
Para quem é esta mostra?
- Para quem quer conhecer a história social do café no Brasil e sua face humana
- Para quem se interessa por fotografia, cultura afro-brasileira e antropologia visual
- Para escolas, grupos de pesquisa, comunidade negra e cidadãos curiosos que desejam ampliar suas referências
- Para o público em geral, dado que o acesso é gratuito e no coração de São Paulo
Serviço
- Local: Espaço Cultural Viva Arouche – Rua do Arouche, 126 – Centro, São Paulo
- Data de inauguração: sábado, 8 de novembro de 2025, a partir das 11 h
- Entrada: gratuita
- Visitação: sugerimos confirmar horário de encerramento no dia da inauguração ou via redes do espaço
