
Catadores e reciclagem
*José Renato Nalini
A produção de resíduos sólidos é um dos grandes problemas mundiais. Aflige todos os espaços, mas, com a dimensão que as conurbações adquiriram, é mais grave para as metrópoles. Imagine-se então para a maior cidade brasileira, São Paulo.
Aqui, mais de 15 mil toneladas diárias são expelidas pela população, que consome demais, desperdiça demais e não sabe – ou não quer – descartar adequadamente.
Em tal cenário, adquire relevância o papel dos catadores. São criticados por alguns, porém exercem um papel relevante na economia e meio ambiente. É o que diz a engenheira ambiental Ana Maria Rodrigues Costa de Castro. Embora o Brasil seja campeão mundial na reciclagem de latinhas de alumínio, o restante dos resíduos sólidos é uma lástima: não atinge 4%.

Ainda assim, são os catadores os responsáveis pelo aproveitamento do material que a cidade “joga fora”. Ana Maria elaborou tese de doutorado sobre a integração desses profissionais à economia brasileira. Eles precisam ser reconhecidos e prestigiados. Sua função é reconhecida por lei e eles participam da política de Estado chamada Política Nacional de Economia Circular.
Na capital, existem cooperativas de catadores e outros grupos em busca de formalização, que poderão também se converter em futuras cooperativas. Mas é preciso que a sociedade reconheça o papel desses brasileiros e brasileiras que ajudam a manter a cidade limpa e corrigem aquilo que a maioria faz: desperdiçar, descartar sem controle, deixar os espaços sujos, entupir bueiros, tudo a comprometer a qualidade de vida de todos.

Procure conhecer o trabalho dos catadores e catadoras e se interesse por ele e pela importante missão que exercem na tutela da saúde e do ambiente da megalópole em que vivemos.
*José Renato Nalini é Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.
