
Casca também se come
*José Renato Nalini
Nossa capital produz, a cada dia, mais de quinze mil toneladas de resíduos. Grande parte dela é constituída de restos de comida e de partes não aproveitadas de frutas, legumes, hortaliças.
O desperdício é enorme, como se vê quando se frequenta uma das mais de mil feiras-livres que acontecem todos os dias.
Grande parte dos consumidores desperdiça alimento que é nutritivo e útil e deve ser aproveitado. Em vez de descartar, é preciso saber usar de maneira completa os ingredientes naturais. Algo que enriquece as receitas, altera o sabor da alimentação e evita o desperdício.
Extraí de Samantha Cerquetani uma lição para o aproveitamento de treze cascas que não podem parar no lixo. São elas: 1. Abacaxi. Suas fibras ajudam o funcionamento do intestino. Tem bromelina, enzima envolvida na quebra de proteínas durante a digestão, que é facilitada para muitas pessoas. Pode ser utilizada em sucos e infusões e, quando cozida com especiarias, serve de base para caldas e xaropes caseiros.
As demais são: 2. Abóbora; 3. Banana; 4. Beterraba; 5. Cenoura; 6. Chuchu; 7. Goiaba; 8. Kiwi; 9. Laranja; 10. Mamão; 11. Manga; 12. Maracujá e 13. Melancia e melão.
É incrível como jogamos fora coisas boas, nutritivas e úteis para a nossa saúde. A casca da abóbora possui carotenoide, que melhora a pele, a visão e o sistema imunológico. A casca de banana aumenta a ingestão de fibras alimentares e de amigo resistente. A casca da beterraba fornece betalaína, com potencial antioxidante e anti-inflamatório. Chuchu e goiaba têm cascas que ajudam a aumentar o aporte de vitamina C, assim como a casca do Kiwi.
Enfim, seria importante que esse conhecimento fosse disseminado nas escolas, com aulas de que os alunos participassem, para que, além de economizar, pudéssemos contribuir para que todos os humanos tenham mais saúde, não precisem de ultraprocessados e combatam a obesidade, uma epidemia que resulta de maus hábitos alimentares. Reduzir o volume de resíduo sólido produzido por treze milhões de almas também faz sentido.
*José Renato Nalini é Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

