
Brasil Empreendedor: O futuro da indústria brasileira e o protagonismo do aço inox – Entrevista completa com Eduardo J. Bragança Lopes, Diretor da INOX-PAR
Da Redação da São Paulo TV Broadcasting jornalista Bene Correa e Bia Ciglioni
A indústria brasileira vive um momento decisivo. Com novos investimentos em infraestrutura, energia, saneamento, transporte e modernização produtiva, setores tradicionalmente discretos — como o de fixadores em aço inoxidável — tornaram-se essenciais para garantir segurança, durabilidade e eficiência. Para entender esse universo que sustenta silenciosamente as grandes obras do país, o Brasil Empreendedor conversou com Eduardo J. Bragança Lopes, Diretor da INOX-PAR, empresa fundada em 1984 e referência nacional em fixadores de alto desempenho. A seguir, a entrevista completa, com profundidade técnica e visão de mercado.

São Paulo TV – Eduardo, como você enxerga o mercado brasileiro de fixadores e aço inoxidável hoje?
Eduardo Lopes:
O mercado vive uma expansão muito sólida e bem estruturada. O Brasil sempre foi um país de grande demanda industrial, mas agora estamos diante de uma fase mais madura, impulsionada pela combinação entre investimentos públicos, iniciativas privadas e a retomada de projetos que ficaram anos parados. Hoje, o mercado nacional de fixadores movimenta mais de R$ 6 bilhões por ano e cresce num ritmo superior ao da indústria como um todo. Isso acontece porque praticamente todos os setores da economia dependem de fixadores de qualidade: construção civil, naval, hospitalar, ferroviária, petroquímica, saneamento, energia e até tecnologia de ponta. O aço inoxidável, dentro desse cenário, ganhou protagonismo. Ele cresce entre 12% e 18% ao ano no Brasil e se tornou a principal opção para quem precisa de durabilidade, resistência à corrosão e segurança estrutural. O cliente de hoje não quer simplesmente um parafuso; ele quer desempenho, rastreabilidade, normas atendidas e garantia de vida útil. O mercado está mais exigente, e isso é ótimo para o país, porque nos empurra para padrões globais mais elevados.
São Paulo TV – Por que o aço inoxidável se tornou tão estratégico para a engenharia moderna?
Eduardo Lopes:
Porque ele resolve três problemas ao mesmo tempo: aumenta a vida útil das estruturas, reduz custos de manutenção e entrega segurança. O aço inox é resistente à corrosão, tem estabilidade térmica, enfrenta maresia, produtos químicos, umidade e ambientes agressivos sem perder integridade. Em um país tropical como o Brasil, onde temos variações climáticas intensas, áreas costeiras extensas e setores como saneamento e energia que atuam em ambientes severos, o inox se torna indispensável. Ele faz parte do conceito de economia circular, que hoje é discutido em todas as grandes conferências mundiais. Usar aço inox reduz o descarte, prolonga o ciclo de vida dos equipamentos e minimiza impactos ambientais. Países como Japão, Alemanha e Noruega já tratam o inox como material padrão para fixadores em estruturas críticas. Não é só uma questão de eficiência técnica — é também uma questão ambiental, econômica e estratégica para qualquer nação que busca desenvolvimento sustentável.
São Paulo TV – A INOX-PAR acompanhou quatro décadas de evolução do país. Como foi essa trajetória?
Eduardo Lopes:
Foi uma jornada de adaptação constante. Em 1984, o Brasil vivia um período de enorme instabilidade econômica. Mesmo assim, acreditamos que havia espaço para uma empresa que oferecesse qualidade real em fixadores de aço inoxidável. O mercado era desorganizado, faltavam normas padronizadas, a importação era extremamente difícil e havia pouca informação técnica disponível. O crescimento da INOX-PAR veio da nossa capacidade de evoluir junto com o país. Ampliamos o catálogo, criamos um estoque robusto, passamos a importar itens especiais, adotamos normas internacionais como DIN, ISO e ASTM, aprimoramos processos internos e estabelecemos relações de confiança duradouras com clientes e fornecedores. Hoje atendemos setores que simplesmente não podem falhar: plataformas offshore, hospitais, ferrovias, saneamento, energia, construção pesada. A evolução do Brasil exigiu evolução da nossa parte, e isso nos colocou onde estamos.
São Paulo TV – Em termos de expansão econômica, quais setores devem puxar o crescimento brasileiro nos próximos anos?
Eduardo Lopes:
Quatro grandes vetores vão definir o futuro econômico do país: infraestrutura, saneamento, energia renovável e setor marítimo/offshore. A infraestrutura brasileira vive um momento único. O novo ciclo de concessões, rodovias, ferrovias, portos e aeroportos deve mobilizar centenas de bilhões de reais até 2030. Cada ponte, túnel, viaduto e galpão industrial utiliza milhares de fixadores especiais. No saneamento básico, a expectativa é de mais de R$ 700 bilhões em investimentos até 2033. Estações de tratamento, redes de distribuição, bombas, estruturas metálicas, tudo isso demanda inox. A energia renovável também está crescendo de maneira impressionante. O Brasil é líder mundial em matriz limpa e investe pesado em usinas eólicas e solares, que operam em ambientes extremamente severos. E, por fim, o setor naval e offshore, que depende completamente de fixadores inoxidáveis devido à ação corrosiva do ambiente marinho. Esses quatro setores, somados ao crescimento dos data centers, telecomunicações e indústria de alta tecnologia, formam um mapa muito claro de expansão que deve durar pelos próximos 20 anos.

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São Paulo TV – Quais são os maiores desafios para quem empreende nesse setor?
Eduardo Lopes:
O maior desafio é equilibrar qualidade e competitividade num ambiente extremamente exigente. A concorrência global é forte, especialmente com produtos asiáticos. Para competir, é preciso entregar algo que vá além do preço: é necessário entregar confiabilidade, rastreabilidade, certificação, logística eficiente e atendimento rápido. Outro desafio é a qualificação técnica. O Brasil ainda precisa formar mais engenheiros, técnicos e operadores especializados em materiais, normas internacionais, processos metalúrgicos e sistemas industriais. A logística também é um ponto crítico. O país é grande, e para garantir entrega rápida você precisa de estoque, organização e estrutura. E há, claro, a burocracia. O empreendedor brasileiro enfrenta uma carga burocrática que consome tempo e energia. Mesmo assim, quem trabalha certo, com ética e constância, consegue construir resultados sólidos e duradouros.
São Paulo TV – Na prática, o que diferencia a INOX-PAR no setor?
Eduardo Lopes:
A INOX-PAR se diferenciou porque sempre acreditamos que o fixador é mais do que uma peça — é uma responsabilidade. Trabalhamos com setores que não permitem erro. Por isso nossa filosofia sempre foi simples e rigorosa: ter estoque amplo, catálogo completo, itens prontos para entrega e logística eficiente. Se o cliente precisa, precisa ter. Se tem, precisa ser entregue rápido. E tudo isso com qualidade, rastreabilidade e respeito. Nós nunca tratamos o fixador como um produto comum. Ele é o que garante que tudo fique de pé: uma ponte, uma estação de energia, um hospital, uma plataforma marítima. A confiança que construímos ao longo de 40 anos é o nosso maior patrimônio.
São Paulo TV – Para terminar, qual a mensagem que você deixa aos jovens empreendedores do Brasil?
Eduardo Lopes:
Empreender é construir, e construir exige verdade. O Brasil recompensa quem trabalha com ética, com seriedade e com persistência. Não existe resultado sólido sem base sólida. Não existe crescimento sem compromisso. Não existe empresa confiável sem respeito às pessoas. O jovem empreendedor precisa entender que o futuro vem do detalhe: da organização, do atendimento, da honestidade, da qualidade. Inovação é importante, mas constância é indispensável. Se você fizer o seu melhor todos os dias, o mercado reconhece. O país precisa de gente que constrói, e quem empreende com propósito sempre encontra seu lugar.

A entrevista com Eduardo J. Bragança Lopes mostra que, por trás dos grandes avanços do Brasil, existe uma cadeia industrial silenciosa, extremamente técnica e indispensável. É nela que empresas como a INOX-PAR se destacam. É nela que o Brasil encontra força para crescer. Aqui com a sua esposa a competente advogada Mauren Bragança. E é essa história — de trabalho, qualidade e visão — que o Brasil Empreendedor traz ao público da São Paulo TV.
