
Banho de floresta
*José Renato Nalini
A ciência estuda com interesse crescente e grande afinco, a influência das árvores na saúde física e mental dos humanos. Tem-se hoje certeza de que a sensciência, uma certa consciência que é própria aos animais, também se encontra nos vegetais. Por isso é que a sabedoria dos ancestrais, que “conversavam” com as plantas mostra-se atual e certa.

Quem não conhece uma pessoa sensível, geralmente mulher, que tratava o seu jardim como se cuidasse de uma criança?
Tive dois exemplos próximos. Minha mãe, cuja mão era “verde” (onde foi parar aquele livrinho “O menino do dedo verde”?) e que falava com suas plantas, sempre viçosas e vivazes e Lygia Fagundes Telles, com quem eu passeava pelos Jardins. Ela abraçava as enormes tipuanas hoje tão hostilizadas – porque não são nativas, mas exóticas – e dizia para elas palavras de conforto. Previa que elas seriam condenadas. Ou pelo tempo, ou pelo cataclismo climático, ou – o que é pior – por impiedade dos humanos que as removem sem qualquer desconforto da consciência.
Pois hoje são Universidades norte-americanas que provam, depois de alentadas pesquisas, que um “banho de floresta” é um tratamento ideal para energizar quem se sente desalentado, desiludido, desanimado com a situação mundial. Isso não significa exatamente banhar-se na floresta. Trata-se de metáfora, de simbolismo. Consiste em percorrer uma área arborizada, olhar para as árvores, examinar seus detalhes, tentar comunicar-se com elas, que são seres vivos, não muito diferentes de nós.
Melhor ainda, seria plantar mais árvores. Não aquela única árvore, cercada de inúmeros humanos, que se coloca no berço no dia 21 de setembro. Mas muitas árvores. Todas as cidades precisam de muito mais árvores. São Paulo inclusive.
Procure ser um amigo da árvore. Ela é a melhor amiga de sua subsistência saudável e digna. Plantemos!
*José Renato Nalini é Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.
