
Amianto não!
*José Renato Nalini
O amianto foi proibido no mundo inteiro e só muito depois de banido é que a proibição chegou ao Brasil. Só que ainda existem telhados de telhas conhecidas como brasilit, confeccionadas à base do material nocivo.
Só que a ciência avança e oferece alternativas que arredam o perigo. As telhas termocrômicas, além de trazer conforto térmico, reduzem custos energéticos. Pois podem refletir mais radiação solar em dias quentes, fazendo o posto em dias mais frios.
A boa notícia é que a principal vantagem desses materiais está na capacidade de adaptação, ainda ausente nas chamadas superfícies frias, que não respondem a variações climáticas. Seu uso pode reduzir o consumo anual de energia entre 3 a 11%, a depender do clima e da aplicação sobre o edifício. Chamam-se termocrômicos pois mudam de cor diante de alterações no clima.

Seu estudo não é novidade, pois a aplicação em superfícies translúcidas, como vidros, já é praticada de maneira intensiva. Mas pensar na realidade brasileira é uma façanha da USP, na visão da Professora Ana Carolina Hidalgo Araújo, primeira autora de uma série de três artigos sobre o tema. É importante para a realidade brasileira obter resfriamento das superfícies dos edifícios, pois o calor mata mais do que o frio e o aquecimento global é evidenciado na elevação constante e crescente da temperatura.
É possível desenvolver telhas, tintas e revestimentos capazes de responder automaticamente ao ambiente. Nos dias mais quentes, o material tende a refletir mais radiação solar e obtém-se a redução do aquecimento interno. Já com temperaturas mais baixas, opera-se o oposto: os materiais ajudam a manter o calor dentro da edificação.
A tese de doutorado de Ana Hidalgo Araújo foi fruto de pesquisa percuciente e trabalhosa: houve análise de 571 artigos publicados entre 1985 e 2025, sobre o uso de materiais termocrômicos na construção civil.
É um grande passo para a definitiva substituição do venenoso amianto, ainda presente nos telhados dos mais carentes. É também uma solução de acordo com a natureza, pois reduz a necessidade de utilização de ar condicionado. Parabéns à doutora e à USP.
*José Renato Nalini é Secretário-Executivo de Mudanças Climáticas de São Paulo.
