
Alckmin usa agenda no Paraná e em Brasília para amarrar novos investimentos e alinhar indústria, inovação e construção civil
Da Redação – São Paulo TV Broadcasting por Bene Correa e Bia Ciglioni
A agenda de Geraldo Alckmin nesta terça-feira sintetiza, em um único dia, três frentes estratégicas da política industrial brasileira: atração de investimentos, atualização tecnológica e diálogo direto com os setores que movem a economia real. De manhã, o vice-presidente deixou Brasília rumo a São José dos Pinhais (PR) para participar do anúncio da parceria industrial Renault–Geely. À tarde, já de volta à capital federal, manteve reuniões segmentadas com a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) e com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Em São José dos Pinhais, o anúncio da nova operação Renault–Geely representou um passo concreto na reestruturação do setor automotivo nacional. O investimento multibilionário — destinado à produção de novos modelos, plataformas eletrificadas e tecnologias de menor emissão — aponta para uma transição industrial centrada na mobilidade limpa e no reposicionamento do Brasil como polo de desenvolvimento automotivo. O pacote inclui produção local voltada ao mercado interno e exportações, ampliando a presença do país em cadeias globais que, até pouco tempo atrás, estavam distantes da realidade nacional.

Esse movimento se conecta ao programa de Mobilidade Verde e Inovação (Mover) e à Nova Indústria Brasil (NIB), iniciativas que buscam atrelar incentivos públicos a exigências de pesquisa, inovação e descarbonização. A lógica é evitar o ciclo histórico de investimentos automotivos sem transferência tecnológica, garantindo que a indústria instalada no país opere com padrões internacionais de eficiência e sustentabilidade.

A estratégia ganha outra camada ao chegar a Brasília. Às 17h, Alckmin recebeu Luiz Césio Caetano Alves, presidente da Firjan, uma das vozes mais influentes da indústria no Sudeste. O encontro tende a aprofundar temas como competitividade, combate ao mercado ilegal, digitalização produtiva e fortalecimento de micro e pequenas empresas. A federação fluminense, tradicionalmente vinculada a petróleo, gás, energia e serviços avançados, busca alinhar sua pauta ao eixo da transição energética e à necessidade de ampliar a sofisticação tecnológica da indústria nacional.
Logo em seguida, às 18h, o vice-presidente se reuniu com Renato Correia, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção. A construção civil, responsável por milhões de empregos e por grande parte da infraestrutura urbana e habitacional do país, enfrenta desafios de modernização, produtividade e adaptação climática. A CBIC tem defendido temas como industrialização de obras, uso de novas tecnologias, habitação social e práticas sustentáveis — elementos cada vez mais centrais no debate econômico e ambiental, especialmente em ano de COP30.
Ao colocar em sequência a parceria automotiva, o diálogo com a indústria e a interlocução com o setor da construção, a agenda de Alckmin evidencia a tentativa de construir uma política industrial integrada. A lógica do dia é clara: começar na fábrica, conversar com quem produz e terminar ouvindo quem constrói as cidades. O país ainda caminha para equilibrar competitividade, inovação e descarbonização, mas a costura política e técnica dessas três frentes mostra que o debate saiu do discurso e entrou na rotina institucional.
A São Paulo TV seguirá acompanhando os desdobramentos dessa agenda — da indústria automotiva à construção civil — para oferecer ao público, com clareza e independência, a leitura mais crítica e completa das decisões que moldam o futuro econômico do Brasil.
