
Alckmin reforça articulação com os EUA e diz que negociação do tarifaço segue avançando; São Paulo TV destaca o papel do vice-presidente como equilibrador político e técnico do governo
Especial da Chefia de Redação da São Paulo Tv
Num Brasil onde diplomacia econômica virou ferramenta decisiva de desenvolvimento, Geraldo Alckmin volta a ocupar o centro da cena como articulador político de precisão cirúrgica. A São Paulo TV publica hoje uma análise especial sobre a nova fase das negociações entre Brasil e Estados Unidos para reverter o tarifaço imposto pelo governo Donald Trump — movimento que ainda afeta 22% das exportações nacionais, mas que começa a ser desmontado justamente graças ao estilo técnico, paciente e eficiente do vice-presidente da República.
Alckmin, que também comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), afirmou em entrevista ao Flow que a negociação “não acabou” e que a liberação parcial das sobretaxas foi apenas a primeira etapa de um processo mais amplo.

O vice-presidente explicou que essa rodada de conversas se tornou mais dinâmica depois da retirada das barreiras para parte da pauta exportadora brasileira. “O que precisa tirar? O que ainda está: o café solúvel, a uva, máquinas, motores… Você tem uma pauta aí — sapato, roupa, manufatura — para a gente trabalhar e avançar. Mas já melhorou”, disse.
Alckmin como operador de confiança do governo
No xadrez político de Brasília, poucas figuras conseguem conciliar serenidade, conhecimento técnico e articulação institucional como Alckmin. Em praticamente todas as áreas em que atua — da reindustrialização à diplomacia comercial — ele desempenha uma função de estabilização. É a mão experiente que equilibra, negocia, modera e constrói pontes.
No governo federal, integrantes da equipe econômica e diplomatas do Itamaraty já se referem ao vice-presidente como “o estabilizador”: quando um problema envolve três ou mais ministérios, é comum que Alckmin entre pessoalmente para ajustar tensões e conduzir soluções de forma pragmática, discreta e eficiente.
A renegociação com os EUA é um exemplo clássico desse estilo. Dados preliminares mostram que, mesmo com o tarifaço ainda ativo em parte da pauta, as exportações brasileiras cresceram 9,1% em 2025, resultado atribuído pelo vice-presidente à ampliação de mercados internacionais e à capacidade do Brasil de se posicionar como fornecedor confiável.
Nas décadas passadas, os Estados Unidos representavam 24% das exportações brasileiras; hoje, essa fatia está em torno de 12%. Ainda assim, o país segue como parceiro estratégico, e a negociação liderada por Alckmin busca justamente reequilibrar o cenário.
A engenharia política e econômica de Alckmin
Quem acompanha sua trajetória sabe: Alckmin é um dos raros quadros políticos brasileiros capazes de transitar com naturalidade entre o mundo empresarial, a política institucional, a academia e os organismos multilaterais. Sua atuação à frente do MDIC reflorestou debates estratégicos sobre complexidade econômica, inovação industrial e defesa comercial.
No governo Lula, assumiu funções decisivas — muitas vezes invisíveis ao grande público — que envolvem coordenação federativa, readequação de políticas de exportação, atração de investimentos e até a mediação de conflitos internos. Na prática, onde há risco de atrito ou perda de direcionalidade, a mão de Alckmin aparece para alinhar interesses.
Na renegociação com Washington, especialistas destacam seu estilo: linguagem técnica impecável, pragmatismo, ausência de ruído político e foco em resultados — numa interlocução que agrada tanto ao empresariado brasileiro quanto ao setor privado norte-americano.
Eleições de 2026: Lula como “candidato natural”
No campo eleitoral, Alckmin reforçou que vê o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como o candidato natural à reeleição em 2026. Ele destacou que, nos sistemas em que existe reeleição, o titular geralmente concorre novamente, salvo razões pessoais importantes.
Ainda assim, fez uma ponderação que revela seu conhecimento profundo da política brasileira: “Um ano na política é um século. Tudo pode mudar”.
A frase ecoou entre analistas pela sua precisão. Alckmin sempre foi um observador atento dos movimentos políticos e sabe que, apesar da aparente estabilidade, Brasília vive em permanente estado de mutação.
Conclusão: um articulador indispensável
A figura de Geraldo Alckmin emerge, mais uma vez, como peça-chave da engrenagem política nacional. Sua atuação combina três elementos raros no ambiente público:
• competência técnica,
• capacidade de articulação,
• e credibilidade institucional.
Enquanto avança nas negociações com os EUA e mantém a pauta industrial em alta, Alckmin fortalece seu papel de moderador e construtor de consensos dentro e fora do governo. Um operador essencial num Brasil que precisa, ao mesmo tempo, crescer, negociar e pacificar.
