
Alckmin destaca papel do Brasil e cobra celeridade na conclusão do acordo Mercosul–União Europeia
Da Redação da São Paulo TV Broadcasting por Beatriz Ciglioni
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o Brasil espera que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia seja assinado o mais rápido possível, ressaltando a importância estratégica do tratado para o país, para os blocos envolvidos e para a economia global.

A declaração foi feita após o adiamento da assinatura do acordo, inicialmente prevista para este sábado durante a cúpula do Mercosul. O adiamento, de até um mês, ocorreu a pedido da Itália, em meio a resistências internas de setores europeus, especialmente ligados à agricultura. Ainda assim, Alckmin avaliou o cenário com otimismo e defendeu que o atraso seja curto.
“É importante para a União Europeia, para o Mercosul e para o mundo. É uma sinalização de que é possível avançar com o livre mercado e com o multilateralismo”, afirmou o vice-presidente, destacando o papel do Brasil como articulador de consensos em um ambiente internacional cada vez mais marcado por tensões comerciais e geopolíticas.
Um acordo histórico e estratégico
Negociado há cerca de 25 anos, o acordo Mercosul–União Europeia é considerado um dos mais amplos tratados comerciais já discutidos, reunindo países que, juntos, representam centenas de milhões de consumidores e uma parcela significativa do PIB mundial. Para o Brasil, o pacto é visto como fundamental para ampliar exportações, atrair investimentos, fortalecer a indústria nacional e consolidar o país como protagonista do comércio internacional.
Lideranças europeias também sinalizaram confiança na conclusão do acordo. O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmaram que a União Europeia trabalha para viabilizar a assinatura do tratado já nos primeiros meses de 2026, apesar das divergências internas ainda existentes.
Agenda internacional ativa do Brasil
Além das tratativas com a União Europeia, Alckmin destacou que o Brasil mantém uma agenda econômica internacional intensa e diversificada. O governo brasileiro trabalha para avançar, até julho, nas negociações com o México para ampliar linhas tarifárias de preferência, mesmo após a adoção de novas tarifas pelo país norte-americano para alguns parceiros comerciais.
Segundo o vice-presidente, estimativas iniciais apontavam impacto de até US$ 1,6 bilhão nas exportações brasileiras, mas os dados mais recentes indicam um efeito reduzido, em torno de US$ 600 milhões, demonstrando capacidade de adaptação e negociação do Brasil no comércio regional.
Alckmin também afirmou que o governo busca ampliar linhas tarifárias de preferência com a Índia e mantém discussões em andamento para acordos de livre comércio com o Canadá e os Emirados Árabes Unidos, reforçando a estratégia de diversificação de mercados e redução da dependência de poucos parceiros.
Protagonismo brasileiro no cenário global
Ao defender a rápida conclusão do acordo Mercosul–União Europeia e ampliar frentes de negociação com diferentes regiões do mundo, o Brasil reafirma seu compromisso com o multilateralismo, o desenvolvimento sustentável e a integração econômica. A atuação de Geraldo Alckmin à frente da política industrial e comercial reforça a imagem do país como um ator confiável, capaz de dialogar com diferentes blocos e de exercer liderança em um cenário internacional cada vez mais complexo.
