
Alckmin critica tarifaço dos EUA e reforça defesa do açúcar brasileiro em meio à escalada da disputa comercial
Por Redação de Jornalismo da São Paulo TV Broadcasting
Brasília vive mais um capítulo da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. Nesta terça-feira (22), o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, voltou a criticar a política tarifária norte-americana e classificou as medidas impostas aos produtos brasileiros como “injustas” e “descabidas”, defendendo a continuidade das negociações diplomáticas para preservar o comércio bilateral.

Entre os setores que mais preocupam o governo brasileiro está o açúcar, um dos principais produtos do agronegócio nacional. Alckmin afirmou que, durante as conversas com representantes dos Estados Unidos, o governo brasileiro defendeu que etanol e açúcar sejam tratados conjuntamente, destacando que ambos os países são grandes produtores e possuem espaço para ampliar mercados, em vez de elevar barreiras comerciais.
O vice-presidente reiterou que o Brasil continuará buscando uma solução por meio do diálogo e afirmou que o governo não trabalha, neste momento, com uma estratégia de retaliação comercial, entendendo que uma escalada de medidas pode prejudicar empresas, produtores e consumidores dos dois países. Segundo Alckmin, “olho por olho pode fazer com que todos saiam perdendo”, reforçando a prioridade da negociação diplomática.
O governo brasileiro também sustenta que a aplicação das novas tarifas carece de fundamentos econômicos consistentes. Alckmin lembra que os Estados Unidos mantêm superávit comercial na relação com o Brasil e que diversos argumentos utilizados para justificar o aumento das tarifas não refletem a realidade das relações comerciais entre os dois países.

Para especialistas do setor produtivo, a preocupação é que novas restrições ao açúcar brasileiro reduzam a competitividade de um dos produtos mais importantes da pauta exportadora nacional. O Brasil é o maior exportador mundial de açúcar e a cadeia sucroenergética movimenta bilhões de reais, gera milhares de empregos e tem papel estratégico para estados produtores, especialmente São Paulo.
Apesar do cenário de tensão, o governo brasileiro mantém a expectativa de que o diálogo prevaleça. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços continua negociando com autoridades norte-americanas e representantes do setor privado para minimizar os impactos das novas tarifas e preservar a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional.
A evolução das negociações será acompanhada de perto pelo setor produtivo, que considera fundamental uma solução capaz de preservar as exportações brasileiras e manter a estabilidade das relações comerciais entre as duas maiores economias do continente.

