
A profissão do contador como infraestrutura da economia brasileira na transição da Reforma Tributária
Por Dr. Alberto Oliveira
Advogado Tributarista – Especialista em Direito Econômico e Tributário
Colunista da São Paulo TV Broadcasting – Coluna Alvo no Tributo
O Brasil está prestes a atravessar a mais profunda reorganização de seu sistema tributário desde 1988. A implementação gradual da Reforma Tributária alterará bases de cálculo, regimes, critérios de não cumulatividade, fluxos de arrecadação e dinâmica de formação de preços. Em meio a esse processo estrutural, ressurgem declarações apressadas de que a profissão do contador perderia relevância diante da digitalização fiscal e da promessa de simplificação.

Nada poderia estar mais distante da realidade econômica.
Reformas estruturais não eliminam complexidade; deslocam complexidade. E toda complexidade deslocada exige técnica qualificada para ser interpretada, operacionalizada e transformada em segurança jurídica concreta.
A contabilidade não é mera escrituração. Ela é mecanismo de estabilização do ambiente econômico. A Constituição organiza a ordem econômica sob os pilares da livre iniciativa, da valorização do trabalho e da função social da empresa. Entre esses pilares existe um elemento silencioso, porém indispensável: previsibilidade fiscal. E previsibilidade fiscal depende, essencialmente, de contabilidade técnica e responsável.
Sem organização contábil não há planejamento tributário lícito.
Sem planejamento não há investimento racional.
Sem investimento não há crescimento sustentável.
A Reforma Tributária criará, durante anos, um ambiente de transição normativa. Haverá convivência entre regimes antigos e novos, regulamentações complementares sucessivas, ajustes interpretativos, normas infralegais, adaptações de sistemas eletrônicos e reconfiguração da lógica de créditos e compensações. Essa fase não será de simplificação imediata. Será de reorganização estrutural.
Nesse cenário, o contador deixa de ser operador formal e assume papel estratégico. Ele será responsável por simular impactos financeiros, revisar enquadramentos tributários, reorganizar regimes empresariais, adaptar controles internos, prevenir autuações e preservar fluxo de caixa. A empresa que não compreender essa centralidade técnica enfrentará riscos crescentes de inconsistência fiscal, perda de crédito e passivos inesperados.
Há uma crença superficial de que a tecnologia substitui o profissional contábil. A realidade é oposta. Sistemas eletrônicos de arrecadação e fiscalização exigem ainda mais rigor técnico. Algoritmos cruzam dados, mas não interpretam riscos. Plataformas apuram valores, mas não analisam cenários jurídicos. Automação executa tarefas, mas não formula estratégia.
A digitalização fiscal ampliará o monitoramento em tempo real. Isso significa que erros serão detectados com maior rapidez. A contabilidade passa a ser gestão preventiva de risco. A empresa sem estrutura técnica robusta estará mais exposta do que nunca.
A experiência recente demonstra essa centralidade. Em períodos de crise econômica, mudanças legislativas sucessivas e instabilidade regulatória, foram os contadores que reorganizaram empresas, orientaram regimes emergenciais, preservaram regularidade fiscal e evitaram encerramentos precipitados. Centenas de milhares de empresas sobreviveram porque tiveram orientação técnica adequada.
Esse papel não diminui com a Reforma Tributária. Ele se intensifica.
Uma reforma dessa magnitude altera a estrutura de custos, a precificação de produtos e serviços, a formação de margens, a logística empresarial e a própria organização societária. Cada decisão equivocada poderá produzir impacto financeiro relevante. O contador atua exatamente nesse ponto de interseção entre norma e resultado econômico.
Subestimar essa profissão revela desconhecimento sobre o funcionamento real da economia. Países com sistemas tributários sofisticados valorizam a contabilidade como parte da infraestrutura institucional do Estado. Ela assegura transparência, governança, credibilidade financeira e conformidade regulatória.
A Reforma Tributária não tornará o Brasil mais simples no curto prazo. Tornará o sistema mais sofisticado. E sofisticação exige qualificação técnica.
O contador será o agente que auxiliará centenas de milhares de empresas a atravessar essa transição com segurança jurídica, previsibilidade e estabilidade operacional. Ele será responsável por traduzir a norma abstrata em prática empresarial viável. Ele será o gestor silencioso da adaptação econômica.
Em momentos históricos, certas profissões revelam sua importância estrutural. A contabilidade é uma delas. Não como burocracia, mas como elemento de sustentação da ordem econômica.
Reformas tributárias são aprovadas pelo Legislativo.
A travessia da reforma é conduzida pelos técnicos.
E, no Brasil, a travessia segura da nova arquitetura fiscal passa, necessariamente, pela atuação sólida, estratégica e responsável da profissão contábil.
Por Dr. Alberto Oliveira
Advogado Tributarista – Especialista em Direito Econômico e Tributário
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