
Ataque bilionário à Binance acende alerta para riscos cibernéticos às empresas, afirma Flávio Filizzola D’Urso
Presidente do Instituto Nacional de Estudos sobre Criptoativos (INECRIPTO) destaca os desafios da segurança digital, a proteção do patrimônio e a necessidade de prevenção diante do avanço dos crimes virtuais.
A crescente sofisticação dos crimes cibernéticos e os riscos envolvidos nas operações financeiras digitais voltaram ao centro das atenções após informações sobre um suposto ataque à Binance, uma das maiores corretoras de criptomoedas do mundo. Segundo o relato divulgado, a plataforma teria sido alvo de uma operação criminosa que resultou no desvio de aproximadamente US$ 6,3 bilhões em apenas 20 minutos.
A magnitude dos valores mencionados e a velocidade atribuída à ação levantam preocupações sobre a vulnerabilidade dos sistemas financeiros digitais e a necessidade de investimentos permanentes em segurança tecnológica. Até a confirmação independente das informações sobre o incidente, os valores e as medidas atribuídas à corretora devem ser tratados com cautela.
Para o advogado Flávio Filizzola D’Urso, especialista em criptoativos e presidente do Instituto Nacional de Estudos sobre Criptoativos (INECRIPTO), a situação representa um alerta que ultrapassa o mercado de criptomoedas e alcança empresas de diferentes setores da economia.
“Este novo incidente, desta vez contra a maior corretora de criptomoedas do mundo, reforça os riscos inerentes ao ambiente virtual, especialmente para as empresas”, afirma.

A segurança dos investimentos e a possibilidade de recuperação dos valores
De acordo com as informações encaminhadas sobre o episódio, a Binance teria suspendido os saques por 48 horas e informado aos clientes que seus patrimônios estariam protegidos. O relato também aponta que aproximadamente US$ 3 bilhões em stablecoins, como USDT e USDC, teriam sido congelados, medida destinada a impedir novas movimentações dos recursos supostamente desviados.
A possibilidade de bloquear determinados ativos digitais depende, entretanto, das características tecnológicas de cada criptomoeda.
Flávio Filizzola D’Urso explica que existem diferenças fundamentais entre as stablecoins e as criptomoedas descentralizadas, especialmente quando se trata da recuperação de recursos envolvidos em operações criminosas.
“No caso das stablecoins, como há uma empresa emissora responsável, existe a possibilidade de se congelar valores. Todavia, quando falamos em bitcoin e ether, pelas suas características descentralizadas, o congelamento não é possível, podendo ser realizado apenas o acompanhamento do trânsito dessas criptomoedas, através da rede blockchain, pois estas informações são públicas”, esclarece.
A tecnologia blockchain permite acompanhar publicamente as movimentações registradas em determinadas redes, oferecendo instrumentos importantes para investigações. Entretanto, identificar o caminho percorrido pelos ativos não significa necessariamente conseguir recuperá-los.
Essa realidade amplia os desafios enfrentados por autoridades policiais, órgãos reguladores, instituições financeiras e empresas especializadas em segurança digital.
Inteligência artificial e a nova dimensão dos crimes virtuais
Outro aspecto que merece atenção é a utilização crescente da inteligência artificial em atividades criminosas.
Embora a tecnologia represente avanços importantes para a economia, a medicina, a comunicação e os serviços financeiros, seu uso indevido pode ampliar a capacidade de atuação de organizações criminosas.
Ferramentas automatizadas, falsificação de identidades, mensagens fraudulentas cada vez mais convincentes e ataques direcionados a sistemas corporativos são algumas das ameaças que exigem novas estratégias de proteção.
Na avaliação do presidente do INECRIPTO, as empresas precisam compreender que a segurança digital deixou de ser uma preocupação exclusivamente tecnológica e passou a integrar as responsabilidades fundamentais da administração empresarial.
“Estamos em um momento desafiador e bastante complexo para a cibersegurança, especialmente com a evolução da IA e seu crescente uso em ataques cibernéticos, como verificamos recentemente, quando vários sites precisaram ser tirados do ar, por motivo de segurança. Essa nova realidade demanda uma maior atenção e muito cuidado, em especial por parte das empresas, para mitigar, o quanto possível, o risco de serem vítimas de crimes virtuais”, conclui Flávio Filizzola D’Urso.
Empresas brasileiras também precisam reforçar a prevenção
O debate sobre segurança cibernética assume especial importância no Brasil, onde empresas de diferentes portes ampliam diariamente sua presença no ambiente digital.
Instituições financeiras, escritórios de advocacia, hospitais, estabelecimentos comerciais, indústrias e prestadores de serviços dependem cada vez mais de sistemas eletrônicos para administrar informações, realizar pagamentos e manter relacionamentos com seus clientes.
Um ataque virtual pode provocar não apenas perdas financeiras, mas também interrupção de atividades, exposição de informações confidenciais, danos à reputação e questionamentos jurídicos.
Nesse contexto, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) estabelece responsabilidades relacionadas à proteção das informações pessoais, enquanto outras normas regulatórias e contratuais podem exigir medidas específicas de segurança e governança.
A adoção de autenticação multifator, sistemas atualizados, monitoramento permanente, treinamento de colaboradores e protocolos de resposta a incidentes constitui parte importante das estratégias de prevenção.
Mais do que investir em equipamentos e programas de proteção, as organizações precisam desenvolver uma cultura empresarial voltada à segurança da informação.
Proteção digital é responsabilidade de toda a organização
O episódio atribuído à Binance também provoca uma reflexão sobre os limites da tecnologia e a necessidade de cooperação entre empresas, especialistas, autoridades e instituições responsáveis pela fiscalização do mercado.
O crescimento das criptomoedas e dos demais ativos digitais oferece novas possibilidades econômicas, mas exige atenção proporcional aos riscos envolvidos.
A prevenção aos crimes cibernéticos deve fazer parte do planejamento estratégico das organizações, independentemente de seu tamanho ou segmento de atuação.
Para a São Paulo TV Broadcasting, o alerta apresentado por Flávio Filizzola D’Urso reforça a importância de ampliar o debate público sobre educação digital, responsabilidade empresarial, segurança jurídica e proteção patrimonial.
Em um mundo cada vez mais conectado, a confiança nas operações digitais depende não apenas da evolução tecnológica, mas também da capacidade das instituições de prevenir ameaças, identificar vulnerabilidades e agir rapidamente diante de situações de risco.
Afinal, proteger informações, investimentos e patrimônios tornou-se uma das principais responsabilidades das empresas na economia contemporânea.
São Paulo TV Broadcasting — Jornalismo, Economia e Tecnologia
Fonte das declarações: Flávio Filizzola D’Urso, advogado especialista em criptoativos e presidente do INECRIPTO.
