
Totó Parente: o gestor que busca transformar cultura, criatividade e memória em oportunidades para São Paulo que é Secretario Municipal de Cultura e Economia Criativa da Gestão Ricardo Nunes.
SECRETÁRIOS DA NOSSA CIDADE DE SÃO PAULO
À frente da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa na gestão do prefeito Ricardo Nunes, Totó Parente fala sobre sua infância, trajetória pública, descentralização cultural, Virada Cultural, investimentos, economia criativa e os sonhos que deseja realizar para a maior cidade do Brasil.
Série Especial — Secretários da Nossa Cidade de São Paulo | São Paulo TV Broadcasting

São Paulo é uma cidade que nunca deixa de criar. Nos teatros, nas bibliotecas, nas ruas, nos centros culturais e nas manifestações populares, convivem diferentes expressões artísticas que ajudam a construir a identidade da metrópole. Administrar a cultura dessa cidade significa compreender que a arte não se limita aos grandes espetáculos: ela também está nas comunidades, na memória dos bairros, no trabalho dos artistas e nas oportunidades de formação e geração de renda.
À frente da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa da gestão do prefeito Ricardo Nunes, José Antônio Silva Parente ( Instagram ), conhecido como Totó Parente, traz experiências na administração pública, na política e no desenvolvimento do turismo. Foi vereador em Cuiabá e exerceu funções federais em áreas ligadas ao desenvolvimento regional, turismo e planejamento.
Nascido em 22 de junho de 1966, Totó Parente iniciou sua trajetória no serviço público como assessor especial do governador de Mato Grosso, entre 1987 e 1990. Posteriormente, atuou no Senado Federal, entre 1995 e 2000, ampliando sua experiência nas relações institucionais e na administração pública.
Entre 2000 e 2004, exerceu o mandato de vereador em Cuiabá, onde presidiu a Comissão de Economia e Finanças e foi relator do orçamento municipal. A experiência legislativa contribuiu para consolidar seu conhecimento sobre planejamento, orçamento e desenvolvimento das cidades.
Em 2007, assumiu a Secretaria Nacional de Desenvolvimento do Centro-Oeste e o Fundo Constitucional do Centro-Oeste, trabalhando com políticas voltadas ao desenvolvimento regional.
Sua trajetória também inclui funções importantes no turismo brasileiro. Em 2016, foi diretor e presidente substituto da Embratur. Entre 2017 e 2018, ocupou o cargo de secretário nacional de Estruturação do Turismo, no Ministério do Turismo, participando de iniciativas relacionadas ao desenvolvimento e à valorização dos destinos brasileiros.
Mais recentemente, em 2023, exerceu a função de secretário de Articulação Institucional no Ministério do Planejamento e Orçamento, aprofundando sua atuação na coordenação de políticas públicas e no relacionamento entre instituições.
Em dezembro de 2024, recebeu do prefeito Ricardo Nunes o convite para assumir a Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de São Paulo, passando a integrar a administração da maior cidade brasileira.
O desafio é significativo: administrar uma política cultural que precisa dialogar com milhões de habitantes, diferentes manifestações artísticas, territórios, tradições, artistas, produtores, empreendedores e instituições.
A Virada Cultural de 2026 da Cidade de São Paulo, a valorização do patrimônio histórico, a economia criativa e a ocupação cultural dos espaços públicos estão entre os assuntos que ajudam a compreender os desafios da gestão.
Mais do que apresentar resultados administrativos, a série especial da São Paulo TV Broadcasting procura conhecer as pessoas que estão à frente das secretarias municipais, suas histórias, experiências, valores e perspectivas para o futuro da capital paulista.
Quem é Totó Parente além da vida pública? Como começou sua relação com a cultura? Quais experiências marcaram sua trajetória e quais sonhos deseja realizar para São Paulo? É essa história que queremos apresentar.
Nesta entrevista exclusiva concedida à São Paulo TV Broadcasting, Totó Parente responde a dez perguntas sobre sua trajetória pessoal e profissional, os avanços da política cultural paulistana e os projetos que pretende consolidar na cidade.
ENTREVISTA ESPECIAL — 10 PERGUNTAS
1. Como foi sua infância, formação e ambiente familiar? Quais pessoas e valores influenciaram sua trajetória e despertaram sua vocação para a vida pública?
Totó: Nasci em uma comunidade indígena no interior do Mato Grosso, e foi lá que conheci uma das primeiras linguagens artísticas da minha vida: o circo. Aprendi cedo que a cultura é capaz disso: interromper a rotina de um lugar e transformá-lo.
Meu pai era ávido por livros, apaixonado por literatura, e costumava dizer que viajava o mundo por meio da leitura. Era uma frase simples, dita sem nenhuma pretensão, e levei anos para entender que ela descrevia uma política pública inteira. Um homem que não tinha como atravessar fronteiras atravessava todas elas sentado em casa, porque alguém, em algum momento, tinha colocado aqueles livros ao alcance dele. Cresci entendendo, sem que ninguém precisasse me explicar, o que a cultura faz: ela abre porta onde não havia porta nenhuma.
Naquele contexto não existiam equipamentos culturais, editais, orçamentos ou secretarias. Existia o circo que passava, os livros do meu pai, as festas, os cantos, os saberes que ninguém chamava de patrimônio imaterial mas que eram exatamente isso. Hoje, quando discuto fomento, tombamento e programação, tenho sempre presente aquela medida: antes de ser política, a cultura é uma coisa que acontece entre as pessoas. O trabalho do poder público não é inventá-la. É garantir que ela caiba na vida de quem não teria como pagar por ela.

2. O senhor foi vereador, atuou em órgãos federais e acumulou experiências em turismo e planejamento. Como essas etapas contribuíram para sua formação e o que o motivou a comandar a cultura paulistana?
Totó: Entre um ponto e outro dessa minha história, houve muito caminho e muito trabalho. Minha formação é marketing, mas foi na gestão pública que encontrei o ofício da minha vida. Estive à frente da Secretaria de Articulação Institucional no Ministério do Planejamento e Orçamento, na direção da Embratur e de tantos outros desafios que pude cumprir como gestor.
Cada um deles me ensinou alguma coisa que eu só entenderia depois. A articulação institucional me ensinou que nenhuma política sobrevive sozinha: ela depende de pactos, de prazos, de gente que precisa concordar antes que qualquer coisa saia do papel. A Embratur me ensinou a olhar o Brasil de fora para dentro, a perceber que a nossa cultura é, também, aquilo que o mundo compra, visita, filma e deseja. Quando um turista atravessa o oceano para ver um bloco de carnaval, uma igreja barroca ou um show de rua, ele está dizendo, com o próprio dinheiro, que cultura é economia. Foi ali que a palavra que hoje divide o nome da minha pasta deixou de ser abstrata para mim: economia criativa.
Os dois fios da minha vida, a cultura e a gestão, só se encontrariam mesmo num lugar.
Esse encontro tem data. Em dezembro de 2024, o prefeito Ricardo Nunes me convidou para ser secretário municipal de Cultura e Economia Criativa de São Paulo.
É preciso dizer o tamanho do que isso significa. São Paulo é a maior cidade da América Latina, e aqui a cultura nunca é uma só. É uma cultura diversa, que reúne os costumes de dezenas de cidades e de todos os estados de um país culturalmente riquíssimo, e que reúne também os povos do mundo inteiro. São tantas as línguas faladas nesta cidade que é realmente surpreendente. Dar conta disso não é administrar uma pasta: é aprender a escutar.

3. Como a Secretaria trabalha para levar programação cultural gratuita e de qualidade às periferias e aos bairros mais distantes do Centro? Quais avanços já foram alcançados?
Totó: Nosso principal eixo de gestão é a descentralização. A cultura não pode ser um privilégio de quem está no centro expandido. Para mudar isso, fortalecemos a rede de Casas de Cultura e as Bibliotecas Municipais, com reformas e melhoramentos na infraestrutura. Fizemos o Pulsa SP, garantindo que espetáculos excelentes cheguem aos bairros mais distantes. Hoje, diversos coletivos e produtores locais das periferias recebem apoio para realizar sua arte, com iniciativas como o Fomento à Cultura da Periferia, que está na sua 11ª Edição. Não estamos apenas levando cultura; estamos financiando a cultura que já nasce nesses territórios.

4. Quais foram os principais resultados e aprendizados da Virada Cultural 2026? Que inovações poderão ser incorporadas aos próximos eventos?
Totó: A Virada Cultural de 2026 consolidou-se como o “Festivais dos Festivais”, com palcos enormes espalhados por todas as regiões da cidade. Tivemos um público de 4,8 milhões de pessoas e uma movimentação econômica superior a 1,1 bilhão na economia, como apontou pesquisa da FGV. O maior aprendizado foi seguir apostando nos palcos descentralizados, que democratizam o acesso e possibilitam que toda a cidade tenha direito de participar do maior evento cultural deste país, e também criar uma experiência pelo Centro de São Paulo, de passeio por diversas formas de arte além da música. Para os próximos eventos, a ideia é ampliar parcerias bem sucedidas que já temos com a Virada com outros eventos, assim como ampliar o número de parceiros culturais. Exemplos das nossas parcerias já bem sucedidas são o apoio do Sesc, Sesi-Fiesp, MASP, e tantos outros. Também estamos aproximando os consulados para promovermos mais atrações internacionais, que representam tantas culturas da nossa cidade.

5. Que projetos apoiam artistas, produtores, técnicos, empreendedores culturais e jovens talentos? Como a Secretaria mede o impacto da economia criativa sobre emprego e renda?
Totó: Temos um ecossistema robusto. Na base, o Programa VAI continua sendo uma grande porta de entrada para jovens talentos das periferias. Há ainda formação com os programas Rede Daora e Jovem Monitor Cultural, que prepara jovens para atuarem no setor da economia criativa, os editais de Fomento e o PROMAC (Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais) são outros exemplos. O impacto está em uma programação cultural ainda maior pela cidade, com qualidade técnica de muitos que se formaram com os nossos programas, e projetos que são fomentados pelos editais. Realizamos monitoramento para compreender esse impacto nos territórios. O VAI, por exemplo, foi premiado internacionalmente pelo Comitê de Cultura da Rede Cidades e Governos Locais Unidos (CGLU), que destaca a iniciativa paulistana como referência mundial na promoção dos direitos culturais, da participação da juventude e da inclusão social.

6. Como a Secretaria trabalha para preservar o patrimônio histórico e aproximar a população desses espaços? Que legado deixou o Festival do Patrimônio de 2026?
Totó: Patrimônio só sobrevive quando é vivido pela população. A Jornada do Patrimônio de 2026 foi um marco histórico. Tivemos mais de 300 atrações entre roteiros guiados, cursos e atividades culturais que lotaram rapidamente. O grande legado da edição de 2026 foi popularizar o festival e o reconhecimento do patrimônio histórico por toda São Paulo, juntando o centro histórico com grandes nomes da música brasileira como Zeca Baleiro. Essa junção impulsionou o interesse das outras atrações e aumentou o interesse pela vasta história paulistana.

7. Quais investimentos, reformas, modernizações e melhorias estão em andamento ou previstos para bibliotecas, teatros e centros culturais municipais?
Totó: Entregamos a modernização de teatros, bibliotecas e casas de cultura com novos equipamentos de última qualidade. Atualmente, estamos com reformas em andamento em 16 bibliotecas municipais e já foram entregues 5. O foco das bibliotecas é modernizá-las para que os munícipes possam aproveitar tudo que tem a oferecer. As bibliotecas têm um acervo de livros presencial e, além disso, recebem diversos eventos culturais semanalmente. Também estamos executando essas adequações com o intuito de aumentar a acessibilidade dos nossos equipamentos, garantindo que todos tenham acesso à cultura.
8. Como a Secretaria incorpora tecnologia, ferramentas digitais e novos formatos de produção e divulgação cultural? Há projetos inovadores voltados à formação artística ou à economia criativa?
Totó: Lançamos o SP+Cultura para funcionar como uma verdadeira vitrine digital das nossas atrações. Estamos aprimorando pra ser uma agenda mais interativa.
Temos também duas plataformas que permitem o munícipe ler um livro ou ver um filme sem sair de casa. O Spcine Play é a primeira plataforma de streaming gratuito do Brasil e o BiblioSP Digital tem mais de 17.000 e-books para leitura em celulares, tablets ou computadores. Outra importante iniciativa é a Porta de Entrada, portal onde todos os artistas podem se inscrever e submeter seus projetos, facilitando as contratações artísticas. O portal SMCeditais é um facilitador, da mesma forma que o Porta de Entrada e descomplicou o processo de inscrição de editais.

9. Quais realizações considera mais importantes até agora? Que projetos ainda deseja concretizar e que legado gostaria de deixar para a cultura de São Paulo?
Totó: O maior pacote de reformas de equipamentos culturais da história e a volta da cultura circulando nas periferias com as vans e caminhões equipadas com bibliotecas, palco, cinema, podcast, para ir até locais que não têm equipamentos públicos de cultura. Entregamos cinco vans e dois caminhões que já estão circulando e a ideia é adquirir novos caminhões e vans para levar a cultura para todos.

10. Que mensagem de incentivo, esperança e valorização da cultura gostaria de transmitir às famílias, artistas, jovens e cidadãos paulistanos?
Totó: A principal mensagem é que a cultura é o coração de São Paulo. Aos artistas, produtores e técnicos, deixo meu profundo agradecimento: vocês fazem a cultura dessa cidade. Vocês traduzem nossa identidade e geram riqueza, não só econômica, mas humana. Continuaremos trabalhando incansavelmente para garantir que vocês tenham respeito, condições dignas e previsibilidade para criar.
Às famílias e aos cidadãos paulistanos, o meu recado é um convite: ocupem os nossos espaços! Os teatros, casas de cultura, bibliotecas pertencem a vocês. A cultura não é um luxo ou apenas um entretenimento para o final de semana; ela é um direito básico, uma ferramenta de união e um lugar seguro de pertencimento.
E aos nossos jovens, especialmente os que estão nas periferias: acreditem na potência criativa de vocês. A arte é um caminho profissional viável e uma ferramenta poderosa de transformação de vida. Nós estamos aqui para ser a ponte para os talentos de vocês. Que a gente continue fazendo de São Paulo a capital mundial da diversidade e da criatividade. A cultura transforma, emancipa e é o que nos faz seguir em frente.

Série Especial — Secretários da Nossa Cidade de São Paulo
São Paulo TV Broadcasting
A série apresenta entrevistas com os responsáveis pelas secretarias municipais da capital paulista, destacando suas trajetórias pessoais e profissionais, os desafios da administração pública e as ações desenvolvidas em benefício da população.
Entrevistado: José Antônio Silva Parente — Totó Parente, secretário municipal de Cultura e Economia Criativa de São Paulo.
Fonte das respostas: Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de São Paulo — entrevista encaminhada oficialmente à São Paulo TV Broadcasting em 19 de outubro de 2026.
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