
Calor afeta gestação
*José Renato Nalini
As ondas de calor, um dos fenômenos que acometem a maior cidade do Brasil, não são apenas desconfortáveis. Elas têm consequências graves para a saúde dos vulneráveis. Já se sabe que crianças e idosos sofrem mais com as altas temperaturas. Mas é preciso também recordar que até os nascituros são afetados.
Estudos realizados por pesquisadores do Centro Brasileiro de Pesquisa Aplicada à Primeira Infância, do INSPER e da USP, identificaram associação entre a exposição ao calor extremo durante a gravidez e alterações no desenvolvimento infantil desde o nascimento.
Apurou-se que cada dia adicional de calor extremo na gestação esteve associado, em média, à redução de 17,4 gramas no peso ao nascer e de 0,10 centímetro no comprimento do bebê. Além disso, observou-se aumento de complicações hipertensivas, como pré-eclâmpsia e eclâmpsia.
Isso é muito sério. Dez dias de ondas de calor durante a gestação causam a redução de 170 gramas no peso do nascituro. Os que nascem com baixo peso apresentam risco muito maior de atrasos no desenvolvimento motor, cognitivo e da linguagem.
A desidratação é a consequência normal dessa elevação de temperatura. E o fenômeno é registrado em todo o planeta, pois a cada ano temos calor que supera o ano anterior. Tudo isso implica em aumento dos partos prematuros e outras comorbidades, o que faz com que esse alerta entre no radar de todos.
Para todos, mas principalmente para as gestantes, a hidratação deve aumentar, evitando-se bebidas com muito açúcar, sódio ou cafeína e também não se expor ao sol das dez às dezesseis horas.
O remédio para as altas temperaturas está ao alcance de todos e está sendo utilizado com eficiência pela gestão Ricardo Nunes na maior cidade do Brasil: o plantio de árvores. A melhor tecnologia para reduzir as temperaturas, com a vantagem do reequilíbrio do regime pluviométrico, os efeitos benéficos na estética, na paisagem, na saúde física e mental de todos os seres.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

