
Metade de nós
*José Renato Nalini
Mais da metade da população já foi afetada pela poluição por ozônio. É o gás armazenado na troposfera, a atmosfera baixa onde todos vivemos. Quase não se fala nisso, porque o ozônio é poluente secundário, menos discutido do que os gases causadores do efeito estufa. Porém, ele não respeita fronteiras.
O estudo é do serviço Copernicus, da União Europeia, que analisou especificamente a situação de setembro de 2026, chegando até o dia 15 desse mês. A pior situação é a da Ásia, com níveis críticos superiores a 53%.
Esse veneno praticamente desconhecido é poluente que resulta de inúmeras reações fotoquímicas. De acordo com Laurence Rouil, diretora do Serviço de Monitoramento Atmosférico do Copernicus, entrevistada pelo jornalista José Henrique Mariante, a poluição resulta de reações entre precursores, como o dióxido de nitrogênio proveniente do tráfego e outros processos de combustão, compostos orgânicos voláteis emitidos pela indústria, solventes e produtos domésticos. Enfim, uma química não linear bastante complexa.
Tudo se complica se a temperatura continuar a aumentar. E isso não é mais tendência: é algo comprovado em todo o planeta. A exposição simultânea a ondas de calor e à poluição do ar aumenta os riscos à população, notadamente em grupos vulneráveis como crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares.
Portanto, bebamos muita água, procuremos a sombra. Salvemos as árvores que restam. Plantemos novas árvores, as melhores amigas do ser humano e da vida. Protejamos, se possível, a outra metade ainda não flagelada por culpa exclusiva da sociedade humana, cruel em relação à natureza e insensível quanto aos mais necessitados.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

