
Água: não desperdice
*José Renato Nalini
A água é o mais precioso líquido com que se pode contar para o prolongamento da aventura humana no planeta Terra. E aquela abundância natural já não existe, mercê de inúmeras causas. O adensamento populacional, o desmatamento e a poluição.
O Brasil, campeão da água doce no mundo, já não pode ostentar esse título, pois o aquecimento global aumenta a temperatura, esvaziando as reservas e as chuvas sempre são inferiores à média histórica.
Mas uma coisa que todo cidadão pode fazer para que não haja crise decorrente da escassez hídrica é economizar água. Não desperdiçá-la, deixando torneiras abertas, o chuveiro aberto sem ninguém debaixo, a lavagem de calçadas e de veículos.
Isso acontece no mundo inteiro. Em Durban, na África do Sul, já se registrou metade da água desperdiçada, devido a canos arrebentados, encanamentos defeituosos e privadas com vazamentos.
Além de manter a sua rede doméstica em ordem, o cidadão tem o dever de alertar a administração pública ao verificar vazamento de água em sua rua. O conserto desses defeitos é infinitamente mais barato do que as consequências da falta d’água para a saúde da população.
Não estamos em situação tranquila. Aprendemos que o Aquífero Guarani, ao se estender por 1,2 milhão de quilômetros quadrados por oito Estados do Brasil e de três países vizinhos – Paraguai, Argentina e Uruguai – abasteceria os brasileiros por mais de mil anos. Só que essa megareserva já ostenta problemas graves: as áreas de recarga, em média a 50 metros da superfície, já estão contaminadas em quase cem mil quilômetros quadrados. Água é um insumo que rareia. Está se tornando escassa e cara. Por isso, as técnicas de reutilização precisam ser adotadas e estimuladas, ao lado de uma consequente educação ambiental. A contaminação química dos lençóis freáticos é um problema global e em São Paulo a gestão Ricardo Nunes criou a SECLIMA – Secretaria de Mudanças Climáticas e estimula toda atividade voltada à proteção hídrica essencial para a sobrevivência de mais de doze milhões de paulistanos.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

