
Regina Nunes chega às urnas em sua primeira eleição com trajetória social, causa animal e o desafio de construir seu próprio caminho
Primeira-dama da capital disputa uma cadeira na Assembleia Legislativa pelo MDB; proteção animal, famílias e mulheres estão entre as pautas apresentadas pela candidata, que enfrenta nas urnas pela primeira vez o julgamento direto do eleitor
Da Redação — São Paulo TV
A dois dias da eleição, a São Paulo TV prossegue com seu registro jornalístico sobre personagens que chegam às urnas depois de trajetórias construídas em diferentes espaços da vida pública.
Entre esses nomes está Regina Carnovale Nunes, candidata a deputada estadual por São Paulo pelo MDB, número 15115.
Aos 45 anos, Regina nasceu na capital paulista, possui formação superior e disputa sua primeira eleição. Seu registro de candidatura está deferido pela Justiça Eleitoral.
Até aqui conhecida principalmente como primeira-dama da cidade de São Paulo e esposa do prefeito Ricardo Nunes, Regina decidiu em 2026 dar um passo diferente: deixar uma posição de participação e acompanhamento da vida pública para colocar seu próprio nome diante do eleitor.
Essa mudança transforma também a maneira como sua trajetória passa a ser avaliada.
Agora, não se trata apenas da primeira-dama.
Trata-se de uma candidata que pretende conquistar um mandato próprio na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.
Do trabalho social para a disputa eleitoral
Regina Nunes tem formação em Turismo e MBA em Gestão Ambiental. Em sua atuação pública e durante a campanha, passou a dar destaque especialmente a temas relacionados à proteção animal, apoio às famílias e políticas destinadas às mulheres.
Na causa animal, defende propostas como ampliação dos hospitais veterinários públicos, realização de mutirões de castração e ações de enfrentamento aos maus-tratos.
São temas que ganharam espaço crescente na agenda pública paulista e que estarão entre as questões submetidas à análise do eleitor.
Sua entrada na política eleitoral ocorre depois de anos acompanhando Ricardo Nunes em uma trajetória que passou pela Câmara Municipal e chegou à Prefeitura da maior cidade do país.
Mas Regina decidiu disputar seu próprio espaço.
Uma candidatura que precisa construir identidade própria
Ser esposa do prefeito de São Paulo naturalmente confere à candidatura de Regina grande visibilidade.
Ao mesmo tempo, cria um desafio político particular.
A candidata precisa demonstrar ao eleitor quais propostas, prioridades e posições são efetivamente suas.
O próprio Ricardo Nunes revelou publicamente que inicialmente tentou convencê-la a não disputar a eleição. Segundo o prefeito, sua preocupação era que Regina se tornasse alvo de ataques dirigidos politicamente a ele.
Regina decidiu seguir adiante.
No lançamento de sua campanha, afirmou que tomou pessoalmente a decisão de concorrer e que posteriormente passou a contar com o apoio do marido.
Esse episódio ajuda a compreender um dos aspectos centrais de sua candidatura: a tentativa de transformar uma trajetória associada à primeira-dama em um projeto político próprio.

A campanha e as questões que também fazem parte do debate público
Uma cobertura jornalística responsável precisa registrar tanto as propostas quanto os questionamentos surgidos durante uma campanha.
Em setembro, o Ministério Público de São Paulo instaurou inquérito civil para investigar se houve eventual utilização de servidor municipal em atividades relacionadas à pré-campanha de Regina Nunes.
A investigação busca esclarecer se houve utilização de estrutura ou recursos humanos da administração municipal para finalidade particular.
A Prefeitura de São Paulo negou irregularidades e afirmou que o servidor mencionado nas reportagens exerceu as atribuições correspondentes ao cargo. O funcionário posteriormente deixou a administração municipal.
Também houve repercussão recente sobre a presença de servidores municipais em uma atividade de campanha realizada em Interlagos.
A gestão municipal afirmou que os servidores compareceram fora do expediente e ressaltou que a legislação eleitoral garante aos funcionários públicos o direito de participar individualmente de atividades políticas. A campanha igualmente afirmou que seus eventos respeitam a legislação.
Esses episódios integram o debate público em torno da candidatura e devem ser considerados juntamente com as propostas e explicações apresentadas pela candidata e pela administração.
Mulheres, famílias e animais
Na reta final da campanha, Regina procura consolidar uma agenda própria.
Entre os temas apresentados estão políticas destinadas às mulheres e às famílias e, de maneira particularmente presente, a proteção animal.
A proposta de ampliar estruturas públicas de atendimento veterinário dialoga com uma política que ganhou bastante visibilidade na cidade de São Paulo nos últimos anos.
Ao buscar uma cadeira na Assembleia Legislativa, porém, Regina passa a disputar a possibilidade de discutir essas questões em escala estadual.

É uma mudança importante.
A Assembleia Legislativa legisla e fiscaliza políticas que atingem os 645 municípios paulistas.
Uma eventual atuação parlamentar, portanto, exigiria que propostas originalmente associadas à experiência da capital fossem pensadas também para o interior, o litoral e as diferentes realidades regionais do Estado.
Das agendas de primeira-dama para sua primeira eleição
Talvez esse seja o aspecto mais significativo da candidatura de Regina Nunes em 2026.
Ela nunca havia concorrido anteriormente a um cargo eletivo.
Durante anos, esteve próxima da política.
Agora está dentro dela como candidata.
A diferença é substancial.
Como primeira-dama, Regina participou de ações e atividades institucionais e sociais.
Como candidata, precisa apresentar propostas, responder a questionamentos, enfrentar críticas e, finalmente, submeter seu nome ao voto.
É justamente essa transição que o eleitor avaliará no domingo.
A decisão pertence ao eleitor
A São Paulo TV chega aos últimos dias desta campanha mantendo o princípio que orienta sua cobertura eleitoral: apresentar trajetórias, propostas e fatos para que cada cidadão possa formar livremente sua própria opinião.
Regina Nunes chega às urnas carregando a visibilidade de ser primeira-dama da maior cidade brasileira e esposa de um dos principais nomes do MDB paulista.
Mas o voto para deputado estadual não será destinado ao prefeito.
Será destinado à candidata.
É Regina quem precisa ser analisada pelo eleitor — por sua trajetória, suas propostas, suas posições e também pelos questionamentos surgidos durante a campanha.
A eleição de 2026 representa, portanto, uma espécie de divisor de águas em sua vida pública.
Até aqui, Regina esteve ao lado de um protagonista da política paulistana.
Agora, colocou o próprio nome na urna.
No domingo, serão os paulistas que decidirão se Regina Nunes passará da condição de primeira-dama da capital para a de representante eleita na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.
A palavra final não pertence ao prefeito, ao partido, às campanhas ou à imprensa.
Pertence exclusivamente ao eleitor.
Da Redação — São Paulo TV

