
Gestão Ricardo Nunes monitora atividade cerebral de mais de 2,6 mil recém-nascidos em UTIs neonatais
Implantado em sete maternidades municipais, sistema ajuda equipes de saúde a identificar crises convulsivas e acompanhar bebês com risco de lesão cerebral
Da Redação da São Paulo TV por Beatriz Ciglioni e o jornalista Bene Correa
A rede municipal de saúde de São Paulo monitorou a atividade cerebral de 2.646 recém-nascidos em UTIs neonatais desde maio de 2023. Implantado durante a gestão do prefeito Ricardo Nunes, o sistema está disponível em sete hospitais municipais e já soma mais de 175 mil horas de acompanhamento contínuo, segundo dados divulgados pela Secretaria Municipal da Saúde nesta quarta-feira (23).
A iniciativa é conduzida pela secretaria, chefiada pelo médico Luiz Carlos Zamarco, em parceria com a empresa de tecnologia Protecting Brains & Saving Futures (PBSF). O modelo, chamado UTI Neonatal Neurológica Digital, permite que um centro de monitoramento acompanhe em tempo real a atividade cerebral dos bebês e forneça informações às equipes responsáveis pelo atendimento.
De acordo com a secretaria, 12% dos recém-nascidos monitorados apresentaram crises epilépticas. O equipamento pode identificar episódios difíceis de perceber apenas pela observação clínica, permitindo que os profissionais avaliem o quadro e iniciem o tratamento mais cedo.
“O monitoramento é capaz de evidenciar situações subclínicas, como, por exemplo, as convulsões que são praticamente imperceptíveis nos recém-nascidos. Além disso, o tratamento precoce permite que a criança se desenvolva de forma adequada”, explicou Athenê Maria de Marco França Mauro, coordenadora da Área Técnica de Saúde da Criança e do Adolescente da secretaria.
Os resultados foram divulgados durante o Setembro Verde Esperança, campanha de conscientização sobre a asfixia perinatal. A condição está relacionada à falta de oxigenação do bebê antes, durante ou após o parto e pode provocar consequências neurológicas graves. Em determinadas situações de risco de lesão cerebral, o monitoramento também acompanha os recém-nascidos submetidos ao resfriamento terapêutico.
A Secretaria Municipal da Saúde informa que, com o uso do protocolo, o tempo de permanência nas UTIs neonatais caiu cerca de 54%. O comunicado não apresenta detalhes sobre o período ou o grupo de comparação utilizado para calcular essa redução.
As principais indicações para o acompanhamento foram suspeita de crise convulsiva (20,3%), prematuridade inferior a 32 semanas ou peso abaixo de 1,5 kg (19,9%), instabilidade hemodinâmica (12,1%) e encefalopatia hipóxico-isquêmica moderada (11,9%).
Hospitais municipais que oferecem o monitoramento cerebral neonatal
- Hospital Municipal Prof. Dr. Waldomiro de Paula, em Itaquera;
- Hospital Municipal Maternidade-Escola Dr. Mário de Moraes Altenfelder Silva, na Vila Nova Cachoeirinha;
- Hospital Municipal Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha, no Campo Limpo;
- Hospital Municipal Prof. Dr. Alípio Corrêa Netto, em Ermelino Matarazzo;
- Hospital Municipal Tide Setúbal, em São Miguel Paulista;
- Hospital Municipal e Maternidade Prof. Mário Degni, no Rio Pequeno;
- Hospital Municipal Dr. Ignácio Proença de Gouvêa, na Mooca.
Fonte dos dados assistenciais: Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo, comunicado de 23 de setembro de 2026. A identificação de Luiz Carlos Zamarco como secretário municipal da Saúde foi conferida no organograma oficial da pasta.

