
Geraldo Alckmin se consolida como peça decisiva do governo federal
Vice-presidente acumula atuação estratégica no desenvolvimento industrial, comércio exterior, atração de investimentos e articulação política
Da Redação da São Paulo TV Broadcasting
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, chega à fase final do atual mandato consolidado como uma das peças decisivas do governo federal.
Com perfil moderado, experiência administrativa e capacidade de dialogar com diferentes setores, Alckmin passou a ocupar um espaço que vai além das funções tradicionais da Vice-Presidência. Ele se tornou uma das principais pontes do governo com empresários, investidores, governadores, prefeitos, representantes do Congresso e parceiros internacionais.
As notícias mais recentes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços mostram a amplitude dessa atuação. Somente em setembro, a pasta acompanhou medidas relacionadas à implantação de centros de processamento de dados, minerais críticos, renovação de frota, competitividade empresarial, comércio exterior e sustentabilidade.
Embora as decisões sejam resultado de um trabalho coletivo do governo, o desempenho do ministério comandado por Alckmin reforça sua posição central na formulação e execução da política econômica voltada ao setor produtivo.

Centros de dados e desenvolvimento tecnológico
Entre as medidas mais recentes está a sanção do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, o Redata. O programa procura estimular a instalação e a ampliação de centros de processamento de dados no Brasil.
A iniciativa prevê incentivos acompanhados de contrapartidas, como investimentos em pesquisa, desenvolvimento tecnológico e sustentabilidade. Também estabelece mecanismos para incentivar projetos em diferentes regiões do país.
A política busca aproveitar o crescimento da inteligência artificial, da computação em nuvem e dos serviços digitais para atrair investimentos, gerar empregos qualificados e ampliar a infraestrutura tecnológica brasileira.
O tema está diretamente relacionado à estratégia de reindustrialização defendida por Alckmin. Em vez de limitar a política industrial aos setores tradicionais, o Ministério do Desenvolvimento procura incluir áreas de alta tecnologia, transformação digital e economia de baixo carbono.
Minerais críticos entram na estratégia nacional
Outra decisão importante foi a sanção da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A nova legislação cria instrumentos para planejar e acompanhar projetos considerados prioritários para o desenvolvimento econômico e tecnológico do país.
Minerais como lítio, níquel, grafite, cobre e terras raras são essenciais para a fabricação de baterias, semicondutores, equipamentos eletrônicos, veículos elétricos e tecnologias destinadas à transição energética.
O objetivo do governo é evitar que o Brasil permaneça apenas como exportador de matérias-primas. A estratégia envolve ampliar o processamento nacional, agregar valor aos recursos minerais e estimular a instalação de novas cadeias produtivas no país.
A condução do Ministério do Desenvolvimento é fundamental nesse processo, pois exige articulação entre indústria, mineração, comércio exterior, inovação, meio ambiente e atração de investimentos.
Renovação de frota e apoio aos trabalhadores
O governo também sancionou a continuidade do Move Brasil, programa destinado à renovação de veículos utilizados por motoristas e entregadores.
A iniciativa oferece condições especiais de financiamento, com juros abaixo dos praticados normalmente no mercado, para facilitar a substituição de veículos antigos.
Além de beneficiar trabalhadores que dependem do veículo para gerar renda, o programa possui impacto sobre a indústria automotiva, a segurança no trânsito e a redução das emissões de poluentes.
Essa combinação de política social e estímulo à atividade industrial representa uma das características da atuação de Alckmin à frente do MDIC: utilizar instrumentos econômicos para ampliar a produção nacional e, ao mesmo tempo, alcançar trabalhadores e pequenos empreendedores.
Competitividade e redução do Custo Brasil
O Ministério do Desenvolvimento também promoveu uma nova rodada de discussões com representantes do setor produtivo sobre competitividade e melhoria do ambiente de negócios.
O debate foi conduzido no âmbito do grupo de trabalho relacionado ao programa Brasil Mais Competitivo e à redução do chamado Custo Brasil. O objetivo é identificar entraves burocráticos, regulatórios, logísticos e tributários que encarecem a produção e reduzem a capacidade das empresas brasileiras de competir no mercado internacional.
A agenda envolve temas como simplificação de procedimentos, infraestrutura, acesso ao crédito, segurança jurídica, inovação e modernização das normas.
Alckmin tornou essa aproximação com o setor produtivo uma marca de sua atuação. Seu perfil contribui para manter canais de diálogo com empresários mesmo diante de divergências sobre política fiscal, tributação ou regulamentação.
Defesa do comércio exterior
Na área do comércio internacional, um relatório divulgado em setembro mostrou que o Grupo de Inteligência de Comércio Exterior, composto pelo MDIC e pela Receita Federal, iniciou a análise de 43 denúncias de possíveis irregularidades entre janeiro e julho de 2026.
O trabalho procura combater fraudes, práticas comerciais ilegais e operações que prejudicam as empresas que atuam regularmente no país.
A defesa da indústria brasileira também ganhou relevância diante das mudanças na economia mundial, do aumento das medidas protecionistas e das disputas comerciais entre as grandes potências.
Em 2026, Alckmin esteve ainda entre os articuladores brasileiros nas negociações envolvendo o acordo entre Mercosul e União Europeia. Para o vice-presidente, a ampliação de mercados ajuda a reduzir a dependência comercial e cria novas oportunidades para a indústria, o agronegócio e os serviços brasileiros.
Nova Indústria Brasil
A principal vitrine de sua atuação no ministério continua sendo a Nova Indústria Brasil, política lançada para estimular a modernização e a reindustrialização da economia.
O programa mobiliza instrumentos de crédito, financiamento, inovação e compras públicas. Suas missões incluem cadeias agroindustriais, saúde, infraestrutura, transformação digital, descarbonização, bioeconomia e defesa nacional.
Em maio de 2025, o governo informou que os recursos mobilizados pela Nova Indústria Brasil haviam alcançado R$ 548 bilhões. A política envolve instituições como o BNDES, Finep, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia.
A execução dos projetos e a transformação dos valores anunciados em investimentos efetivos continuam sendo pontos essenciais para a avaliação dos resultados. Ainda assim, a retomada de uma política industrial coordenada recolocou o MDIC no centro das decisões econômicas do país.
Equilíbrio dentro do governo
A importância de Geraldo Alckmin não está apenas nas atribuições ministeriais. Sua presença também representa equilíbrio político dentro de um governo formado por diferentes partidos e correntes ideológicas.
Ex-governador de São Paulo por quatro mandatos, ex-prefeito, ex-deputado e médico, Alckmin acumula uma trajetória administrativa que contribui para a interlocução com setores que mantêm resistência ao Partido dos Trabalhadores.
Sua presença na chapa presidencial ajudou a construir uma aliança política mais ampla. No exercício do governo, ele passou a funcionar como interlocutor entre o Palácio do Planalto e setores empresariais, industriais e financeiros.
Alckmin adota um estilo discreto, evita confrontos públicos desnecessários e privilegia a negociação. Essa postura permitiu que mantivesse influência mesmo nos momentos de tensão política e econômica.
Uma peça decisiva
Ao acumular a Vice-Presidência e o comando do Ministério do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin tornou-se responsável por duas tarefas fundamentais: contribuir para a estabilidade política e coordenar parte importante da agenda de crescimento econômico.
Sua atuação não elimina as divergências internas do governo nem resolve, isoladamente, os desafios enfrentados pela indústria. O Brasil ainda precisa aumentar a produtividade, melhorar a infraestrutura, reduzir a burocracia e ampliar sua participação em cadeias globais de maior valor agregado.
No entanto, a combinação entre experiência administrativa, articulação política e diálogo com o setor produtivo transformou Alckmin em uma figura indispensável para o funcionamento da atual estrutura governamental.
Mais do que um vice-presidente protocolar, Geraldo Alckmin se consolidou como um articulador estratégico e uma das principais referências do governo federal nas agendas de indústria, investimentos, inovação e comércio exterior.
Da Redação da São Paulo TV Broadcasting
Com informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
