
Ouribank Endurance Brasil: potência, estratégia e resistência nas 3 Horas de Interlagos
Por Walter Westphal | Coluna de Automobilismo – São Paulo TV
Fotos: Regina Calderoni
Cobertura em Interlagos: Regina Calderoni e equipe – São Paulo TV Broadcasting
Interlagos voltou a mostrar por que ocupa um lugar especial na história do automobilismo brasileiro. O Autódromo José Carlos Pace recebeu a sexta etapa do Ouribank Endurance Brasil, com a realização das 3 Horas de Interlagos, colocando na mesma pista protótipos de alta velocidade e superesportivos de Gran Turismo em uma prova na qual velocidade pura é apenas parte da equação.
A São Paulo TV Broadcasting acompanhou o evento diretamente do autódromo, com reportagens de Regina Calderoni e equipe, registrando os carros, pilotos, boxes e toda a movimentação de um fim de semana dedicado ao automobilismo.
Além da principal categoria brasileira de provas de longa duração, a programação contou com a BMW M2 Cup Brasil, que realizou sua quinta etapa, e atividades do Porsche Club.
Ao longo do fim de semana, aproximadamente 180 carros participaram das diferentes atividades de pista.

Interlagos: 4.309 metros onde cada curva tem uma história
Com 4.309 metros de extensão e 15 curvas, Interlagos não perdoa erros.
Mudanças de elevação, curvas de baixa, média e alta velocidade e trechos de forte aceleração fazem do circuito paulistano um desafio para pilotos e máquinas.
Alguns nomes fazem parte do próprio vocabulário do automobilismo brasileiro: S do Senna, Curva do Sol, Laranjinha, Pinheirinho, Bico de Pato, Junção e Reta dos Boxes.
Em uma prova de três horas, entretanto, conhecer cada centímetro da pista não basta.
É preciso administrar pneus, combustível, tráfego, temperatura dos componentes, paradas nos boxes e troca de pilotos. Uma decisão tomada pela equipe pode representar a diferença entre a vitória e uma corrida perdida.
Endurance é velocidade com inteligência.

Protótipos e GTs: mundos diferentes na mesma pista
Uma das características mais impressionantes do Endurance Brasil é justamente a convivência de carros com desempenhos e concepções bastante diferentes dentro de uma mesma corrida.
Entre os protótipos, aparecem máquinas desenvolvidas essencialmente para competição.
O Ligier JS P320, da classe LMP3, carrega tecnologia encontrada também em campeonatos internacionais.
O AJR, desenvolvido pela JLM Racing/Metalmoro, representa um dos projetos de referência entre os protótipos presentes no automobilismo nacional.
Outro representante brasileiro é o Sigma P1, construído com forte preocupação aerodinâmica e alto desempenho.
Completa esse cenário o Ginetta G58, máquina concebida exclusivamente para as pistas e derivada da experiência da fabricante britânica em protótipos de competição.
Do outro lado estão os Gran Turismo, que transportam para as pistas nomes associados aos superesportivos desejados nas ruas.
Mercedes-AMG, BMW e Porsche fazem parte desse universo.
Entre eles estão modelos como o BMW M4 GT3 e o Porsche 911 (992) GT3, este último também alinhado por equipes como a Stuttgart Motorsport.
É justamente essa mistura que proporciona um dos espetáculos particulares do Endurance: protótipos extremamente rápidos precisam administrar ultrapassagens sobre carros GT enquanto todos disputam suas próprias classes.

BMW M2 Cup: 18 carros e disputa equilibrada
A BMW M2 Cup Brasil, que acompanha a programação do Endurance Brasil, chegou a Interlagos para sua quinta etapa.
O BMW M2 Racing utiliza propulsor 2.0 TwinPower Turbo de 313 cv e pode atingir velocidades próximas de 270 km/h.
Em Interlagos, 18 carros estiveram no grid.
Uma categoria monomarca tem uma característica especial: como os competidores contam com equipamentos de especificações semelhantes, diferenças de pilotagem, preparação e estratégia ficam ainda mais evidentes.
É o tipo de competição em que pequenos detalhes podem representar posições importantes na pista.

Pneus também decidem uma corrida
Nas provas de longa duração, o trabalho dos pneus ganha dimensão estratégica.
As três categorias que dividem a pista no Endurance Brasil utilizam pneus Pirelli do composto DHG, desenvolvidos para provas de longa duração.
Na BMW M2 Cup, são utilizados pneus DHHB para pista seca e Rain WSA para condições de pista molhada.
Já os participantes do Porsche Club contam com diferentes alternativas da família Pirelli P Zero, incluindo P Zero R e Trofeo RS.
Em uma corrida longa, não se trata apenas de encontrar o pneu que proporciona a volta mais rápida. É necessário compreender sua durabilidade e comportamento ao longo de diferentes momentos da prova.
Interlagos, com suas curvas, frenagens e mudanças de elevação, transforma essa administração em parte fundamental da estratégia.

Três horas de disputa e quatro vencedores de classe
Depois de três horas de corrida e uma sucessão de estratégias, ultrapassagens e paradas nos boxes, a bandeirada definiu os vencedores das principais classes.
Na P1, vitória da dupla Enzo Elias e André Rosário.
Na P2, o primeiro lugar ficou com M. Rosário e D. Freitas.
Entre os carros da GT3, vitória de Ricardo Baptista e Rafael Suzuki.
Na GT4, quem subiu ao lugar mais alto foi a dupla Jaques Quartiero e Alan Hellmeister.
Resultados que mostram outra particularidade das provas de Endurance: muitas vezes, o adversário não é somente o carro que aparece nos retrovisores. É também o relógio.

O espetáculo está também nos boxes
Para quem acompanha uma prova de longa duração apenas pela pista, parte importante da competição permanece escondida.
Nos boxes existe outra corrida.
Mecânicos trabalham contra o cronômetro. Engenheiros analisam dados. Estrategistas calculam combustível e desgaste. Pilotos precisam manter concentração durante longos períodos e entregar o carro ao companheiro nas melhores condições possíveis.
Uma parada alguns segundos mais longa, um pneu que perde rendimento antes do previsto ou uma entrada inesperada do safety car podem mudar completamente a classificação.
É por isso que o Endurance tem uma identidade própria dentro do automobilismo.
Não vence necessariamente quem é mais rápido durante alguns minutos. Vence quem consegue ser rápido, eficiente e consistente durante horas.

Interlagos continua sendo o grande palco
Ter Endurance Brasil, BMW M2 Cup e Porsche Club, com aproximadamente 180 carros participando das atividades do fim de semana, reforça a capacidade de Interlagos de receber diferentes vertentes do esporte a motor.
Mais do que um circuito, o José Carlos Pace permanece como patrimônio do automobilismo brasileiro.
Cada geração de pilotos escreve ali uma pequena parte de uma história iniciada ainda em 1940.
E quando protótipos e superesportivos entram juntos na pista, essa história ganha velocidade, tecnologia e um som impossível de confundir.
Depois das 3 Horas de Interlagos, o campeonato deixa São Paulo e prepara sua próxima batalha.
A próxima etapa do Endurance Brasil está programada para 24 de outubro, com as 3 Horas de Brasília.
Até lá, equipes terão algumas semanas para rever dados, aperfeiçoar carros e estratégias.
Porque no Endurance, quando a bandeira verde é agitada, começa uma corrida contra os adversários — mas também contra a máquina, os pneus, o tempo e os próprios limites.
Walter Westphal
Colunista de Automobilismo da São Paulo TV
Fotos: Regina Calderoni
Reportagens e cobertura em Interlagos: Regina Calderoni e equipe – São Paulo TV Broadcasting

