
Trânsito vilão
*José Renato Nalini
O maior vilão das mudanças climáticas em São Paulo é o trânsito. As emissões dos gases venenosos causadores do efeito-estufa contribuem com 60% do total. Os outros dois são a energia estacionária e o lixo, hoje chamado resíduo sólido. Na Grande São Paulo, já se apurou que o número de violações do Padrão Nacional de Qualidade do Ar pelo ozônio, ou seja, o número de vezes em que a concentração ultrapassa o limite estabelecido pela Lei (160- microgramas por metro cúbico numa hora) saltou de 17, em 1995, para mais de 300 depois do ano 2000.
O ozônio não é emitido diretamente pelos carros, mas eles são responsáveis por sua formação. Os veículos expelem seus precursores, como o óxido de nitrogênio, os hidrocarbonetos e aldeídos. O sol gera reações fotoquímicas e transforma tais elementos em ozônio. Problemas respiratórios e o uso intensivo do sistema saúde, poderia ser evitado com um controle maior do trânsito.
Daí a insistência do Prefeito RICARDO NUNES em eletrificar a frota de ônibus. Cada ônibus elétrico deixa de consumir 35 mil litros de diesel e representa o plantio de 6.400 novas árvores na capital. Agora, com a deficiência da estrutura de recarregamento, é preciso recorrer ao biometano, gás natural não fóssil, produzido a partir dos aterros sanitários. O metano, embora produzido em menor quantidade, contribui 23 vezes mais para o aquecimento do planeta do que o gás carbônico.
A cidadania pode colaborar, seja andando mais a pé, de bicicleta, ou usando transporte coletivo, deixando um dia ao menos na semana de sair de carro. Mas ainda descartando corretamente o seu lixo. Todo resíduo orgânico – que apodrece – pode se converter em biometano. E abastecer os caminhões de coleta de lixo, já transformados para essa mudança de combustível, além dos ônibus que não forem elétricos.
É preciso que a consciência ecológica venha a ganhar escala. Sem adesão de todos, todas as políticas públicas serão insuficientes, diante do vulto da questão climática.
*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

