
Tarcísio faz diagnóstico sobre economia e alerta para juros, crédito, emprego e risco de inflação
Em análise sobre a situação econômica do país, governador de São Paulo usa crise da Casas Bahia para defender que o Brasil precisa voltar sua atenção aos problemas concretos enfrentados por empresas, trabalhadores e famílias Instagram
Reportagem da São Paulo TV
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, fez uma avaliação abrangente do atual cenário econômico brasileiro e chamou a atenção para problemas que, na visão dele, deveriam ocupar o centro do debate nacional: juros elevados, restrição de crédito, insegurança jurídica, endividamento, dificuldades enfrentadas pelos empreendedores e o risco de esses fatores atingirem cada vez mais o emprego e a renda das famílias.
Ao comentar a crise da Casas Bahia, Tarcísio procurou ir além da situação particular de uma grande empresa. Para o governador, o caso é um retrato de dificuldades que alcançam diferentes setores da economia brasileira.
“Olha a situação do empreendedor brasileiro. Ele luta contra o vento, faz o possível para sobreviver. Está sofrendo com insegurança jurídica, com o custo do capital, com a taxa de juros”, afirmou Tarcísio.
O governador também levou a discussão para o lado humano da crise. Em vez de tratar apenas dos números de uma recuperação judicial, chamou a atenção para o trabalhador que construiu uma vida profissional dentro de uma empresa e, de repente, se vê diante do desemprego.
Tarcísio citou como exemplo o pai de família que trabalhou durante 20 anos na Casas Bahia, já possui dívidas e empréstimos consignados e acaba perdendo o emprego. Para ele, é justamente esse tipo de consequência que demonstra a necessidade de o país encontrar uma direção econômica capaz de oferecer maior segurança às empresas e às famílias.
A preocupação manifestada pelo governador encontra respaldo em elementos concretos do atual cenário do varejo. A Casas Bahia entrou em recuperação judicial com aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas, em um ambiente no qual a própria companhia apontou juros elevados, restrição de crédito e aumento dos custos financeiros entre os fatores que agravaram sua situação.
Mas Tarcísio ampliou sua análise para além do varejo.
Segundo o governador, existe atualmente um “aperto de crédito” que também alcança outros setores, inclusive o agronegócio. Quando o crédito se torna caro ou escasso, empresas encontram maior dificuldade para financiar investimentos, estoques, máquinas, expansão e até mesmo seu capital de giro.
Tarcísio também levantou uma preocupação de natureza macroeconômica. Ele chamou a atenção para o encurtamento da dívida brasileira e questionou o que poderia acontecer diante de uma eventual dificuldade futura de rolagem dessa dívida.
Na avaliação apresentada pelo governador, um problema dessa natureza poderia produzir consequências sobre o câmbio e a inflação, justamente em um momento em que a taxa de juros já permanece elevada.
Essa parte da manifestação de Tarcísio merece atenção porque mostra que sua crítica não ficou restrita ao fechamento de lojas ou às dificuldades de uma empresa. O governador estabeleceu uma sequência de riscos: desequilíbrio fiscal e dificuldades de financiamento podem pressionar a dívida; problemas de confiança podem atingir o câmbio; uma desvalorização cambial pode aumentar pressões sobre os preços; e uma inflação resistente dificulta a redução dos juros.
Uma avaliação realista sobre problemas que já atingem a economia
Tarcísio traz para o debate questões reais e relevantes da economia brasileira.
Isso não significa atribuir exclusivamente à política econômica do governo federal a responsabilidade pela crise de uma empresa como a Casas Bahia. Grandes companhias possuem decisões administrativas próprias, estratégias empresariais, dívidas acumuladas e enfrentam mudanças estruturais do mercado, como a transformação do comércio eletrônico e a concorrência de plataformas internacionais.
Entretanto, seria igualmente equivocado ignorar o peso do ambiente macroeconômico.
Juros altos têm consequências. Crédito caro tem consequências. Insegurança para investir tem consequências. E empresas excessivamente endividadas tornam-se ainda mais vulneráveis quando precisam refinanciar suas obrigações pagando um custo elevado pelo dinheiro.
Nesse aspecto, Tarcísio fez uma avaliação que merece ser considerada com seriedade.
O ponto mais forte de sua manifestação talvez esteja justamente em retirar a discussão econômica do universo exclusivamente técnico e mostrar sua consequência na vida cotidiana.
Quando uma empresa fecha uma loja, existe um trabalhador atrás daquela porta. Quando o crédito desaparece, existe um pequeno empresário que deixa de investir. Quando os juros permanecem elevados, existe uma família que encontra maior dificuldade para financiar uma casa, um automóvel ou um produto. Quando investimentos são adiados, empregos que poderiam ser criados deixam de existir.
A situação da Casas Bahia, portanto, funciona como um alerta muito maior do que o problema financeiro de uma única companhia.
O Brasil precisa discutir crescimento econômico com responsabilidade fiscal, segurança jurídica, crédito sustentável, produtividade e condições para o investimento privado. Ao mesmo tempo, precisa proteger empregos e criar oportunidades para que empresas possam produzir e trabalhadores possam consumir sem depender de um endividamento cada vez maior.
Em período eleitoral, naturalmente, declarações econômicas também fazem parte da disputa política. Tarcísio é candidato à reeleição ao Governo de São Paulo e suas críticas precisam ser compreendidas dentro desse contexto.
Mas isso não elimina a discussão econômica levantada por ele.
Ao escolher a Casas Bahia como exemplo, Tarcísio colocou uma pergunta importante no centro do debate: qual ambiente econômico o Brasil está oferecendo hoje para quem produz, investe, emprega e trabalha?
É uma discussão que ultrapassa partidos e eleições.
Porque, no final, uma economia saudável não pode ser medida apenas por indicadores apresentados em Brasília. Ela precisa ser percebida na empresa que consegue manter suas portas abertas, no empreendedor que encontra condições para investir e, principalmente, no trabalhador que consegue preservar seu emprego, sua renda e a segurança de sua família.
Reportagem da São Paulo TV
