
Ética, credibilidade e qualificação: os novos desafios do jornalismo e da assessoria de imprensa
Em um ambiente marcado pela velocidade das redes sociais, pela inteligência artificial e pela desinformação, a valorização profissional, a atualização permanente da formação jornalística e a ampliação da presença feminina tornaram-se fundamentais para o futuro da comunicação, segundo a jornalista Adriana Ferreira, que reúne 21 anos de experiência em assessoria de imprensa e defende ética, qualificação e credibilidade como pilares da profissão.
Da Redação da São Paulo TV por Beatriz Ciglioni
O jornalismo atravessa uma das maiores transformações de sua história. Redes sociais, inteligência artificial, novos hábitos de consumo de notícias e a velocidade com que uma informação pode alcançar milhões de pessoas modificaram profundamente a rotina das redações e das assessorias de imprensa. Nesse cenário, a jornalista Adriana Ferreira, que soma 21 anos de atuação em assessoria de imprensa, acredita que modernizar a profissão não significa abandonar seus fundamentos. Ao contrário: quanto maior a transformação tecnológica e a velocidade da informação, maior deve ser o compromisso de jornalistas e profissionais de comunicação com ética, verdade, responsabilidade e credibilidade.
Formada em Jornalismo, especialista em Assessoria de Comunicação Pública, Comunicação de Mandato e Eleições e pós-graduada em Comunicação Empresarial, Planejamento Estratégico e Marketing Político Digital, Adriana construiu ao longo dessas mais de duas décadas uma experiência que acompanhou profundas mudanças na maneira de produzir, distribuir e consumir informação. São 21 anos dedicados à assessoria de imprensa, período em que acumulou conhecimento sobre relacionamento com jornalistas, comunicação pública e institucional, planejamento e os desafios de transformar informações complexas em conteúdos capazes de atender ao interesse público.

Para Adriana, assessoria de imprensa não pode ser entendida simplesmente como divulgação. O assessor precisa conhecer jornalismo, compreender o funcionamento das redações, fornecer informações confiáveis, facilitar o acesso às fontes e estabelecer uma relação profissional baseada no respeito à independência de quem produz a notícia. Essa experiência de 21 anos também lhe permite defender a valorização do assessor como um profissional especializado, preparado para atuar em um ambiente no qual uma informação incorreta pode produzir consequências em poucos minutos.
Parte importante dessa trajetória foi construída acompanhando Ricardo Nunes na área de imprensa e comunicação desde seu primeiro mandato como vereador de São Paulo, atravessando diferentes etapas de sua vida pública até chegar à Prefeitura da capital. Essa continuidade tornou-se um importante case profissional, pois demonstra capacidade de adaptação às diferentes dimensões e responsabilidades da comunicação pública. A dinâmica de uma assessoria parlamentar é muito diferente daquela exigida pela administração de uma cidade da dimensão de São Paulo, onde saúde, educação, transporte, habitação, segurança urbana, assistência social, desenvolvimento, obras e serviços públicos estão diariamente sob o olhar da imprensa e da população.
Para Adriana, essa experiência reforçou uma convicção: comunicação pública também é prestação de contas à sociedade. O cidadão precisa conhecer aquilo que está sendo realizado, ter acesso às informações de interesse coletivo e encontrar canais capazes de responder aos questionamentos da população e da imprensa. Por isso, ela acredita que o bom assessor não deve criar barreiras entre a fonte e o jornalista. Sua função é contribuir para que a informação circule com clareza, precisão e responsabilidade, sempre preservando a independência editorial dos veículos de comunicação.
É nesse ponto que jornalismo e assessoria de imprensa se encontram. Embora desempenhem funções distintas, ambos dependem de um patrimônio comum: credibilidade. O jornalista precisa analisar, questionar, checar e contextualizar as informações recebidas. O assessor, por sua vez, precisa compreender que sua relação com uma redação somente será sólida quando os profissionais souberem que encontram do outro lado alguém comprometido com informações corretas. Para Adriana, confiança não se conquista com um release ou uma publicação. É resultado de anos de relacionamento profissional e precisa ser preservada diariamente.
Depois de 21 anos trabalhando diretamente com assessoria de imprensa, Adriana também identifica na formação dos novos jornalistas um dos grandes desafios da profissão. Na sua visão, a preparação profissional precisa acompanhar as transformações da sociedade e das tecnologias. As universidades continuam tendo a missão indispensável de ensinar os fundamentos do jornalismo — apuração, texto, investigação, checagem, ética, conhecimento da realidade e compromisso com os fatos —, mas precisam também preparar os futuros profissionais para um ambiente dominado por novas plataformas, comunicação multiplataforma, redes sociais, dados e inteligência artificial.
Para Adriana, o jornalista não pode parar de estudar quando recebe o diploma. A atualização precisa fazer parte de toda a carreira. O profissional deve compreender as novas tecnologias e saber utilizá-las sem permitir que as ferramentas substituam seu senso crítico e sua responsabilidade. Inteligência artificial pode auxiliar diferentes etapas da comunicação, porém a decisão sobre aquilo que é verdadeiro, relevante e de interesse público continua exigindo conhecimento, julgamento e responsabilidade humana.
Essa preocupação ganha ainda mais importância diante da proliferação de fake news, deepfakes e conteúdos manipulados. Hoje é possível produzir textos, imagens, áudios e vídeos falsos com um grau de realismo cada vez maior. Por isso, Adriana entende que quanto mais fácil se torna produzir e distribuir informação, maior deve ser a responsabilidade daquele que possui formação profissional para trabalhar com ela. A velocidade não pode substituir a apuração, e a busca pela audiência jamais deveria colocar a credibilidade em segundo plano.
Há ainda outro tema que Adriana considera essencial para o futuro da comunicação: o espaço das mulheres dentro da profissão. Ela reconhece os avanços conquistados ao longo das últimas décadas, mas entende que a presença feminina precisa crescer principalmente nos ambientes estratégicos, nos cargos de comando, nas decisões editoriais e na liderança das estruturas de comunicação.
Para Adriana, a mulher pode e deve ocupar um espaço cada vez maior na comunicação. Não apenas porque a diversidade é necessária, mas porque mulheres preparadas possuem competência para comandar equipes, administrar crises, formular estratégias, dirigir estruturas de comunicação e participar das principais decisões de empresas, governos, veículos e instituições.
Sua própria trajetória demonstra essa possibilidade. Vinte e um anos de assessoria de imprensa representam mais do que tempo de profissão: representam experiência acumulada, relacionamentos construídos, mudanças acompanhadas e credibilidade conquistada. Ao desenvolver uma carreira de continuidade em um ambiente de enorme responsabilidade e exposição, Adriana mostra como uma mulher pode construir autoridade profissional pelo conhecimento, pela capacidade de relacionamento e pela seriedade de seu trabalho.

Essa visão se conecta diretamente à sua defesa da valorização da assessoria de imprensa. Adriana acredita que o assessor contemporâneo não pode ser apenas um distribuidor de releases. Precisa compreender o contexto da notícia, antecipar demandas, conhecer profundamente aquilo que comunica, saber lidar com situações de crise e reconhecer a responsabilidade social existente em cada informação transmitida.
Uma assessoria profissional, em sua concepção, não concorre com o jornalismo independente e muito menos deve tentar controlá-lo. Quando trabalha com ética, pode contribuir para fortalecer o processo jornalístico ao oferecer informações, documentos, dados, fontes e respostas que posteriormente serão analisados, confrontados e apurados pelos jornalistas.
É também por isso que Adriana defende maior reconhecimento para quem trabalha nessa área. A qualidade da comunicação depende de profissionais preparados nos dois lados dessa relação. Uma imprensa qualificada precisa encontrar assessorias igualmente qualificadas. Quando há profissionalismo, respeito e confiança, quem ganha é a sociedade, que recebe informações melhores e encontra maior transparência nas instituições.
A experiência de 21 anos de Adriana Ferreira na assessoria de imprensa tornou-se, assim, um case de continuidade, confiança e evolução profissional. Durante esse período, ela acompanhou não apenas diferentes momentos da vida pública, mas também uma transformação completa da própria comunicação. Redes sociais ganharam protagonismo, smartphones modificaram a produção de conteúdo, as redações passaram por mudanças estruturais e a inteligência artificial abriu uma nova fronteira para o jornalismo.
Permanecer relevante profissionalmente diante de tantas transformações exige exatamente aquilo que Adriana defende: formação permanente, capacidade de adaptação e princípios sólidos.
Para ela, o futuro da comunicação não será determinado exclusivamente pelas tecnologias disponíveis. Será determinado também pela qualidade dos profissionais responsáveis por utilizá-las. É preciso discutir inteligência artificial, mas também ética. É necessário conhecer novas plataformas, mas sem abandonar a apuração. É importante alcançar grandes audiências, mas sem perder a responsabilidade sobre aquilo que se publica. E é fundamental modernizar a formação dos jornalistas preservando os fundamentos históricos da profissão.
Também é necessário abrir cada vez mais espaço para que mulheres preparadas participem das decisões e assumam posições de liderança na comunicação.
A experiência e o pensamento profissional de Adriana Ferreira apontam justamente nessa direção: jornalistas mais preparados, assessorias mais qualificadas, mulheres ocupando espaços cada vez maiores, respeito à independência da imprensa e compromisso permanente com a ética e a credibilidade.
Depois de 21 anos de assessoria de imprensa, Adriana conhece de perto as mudanças, as dificuldades e a responsabilidade da profissão. Sua trajetória mostra que ferramentas e plataformas podem mudar, mas determinados valores precisam permanecer acima de qualquer transformação tecnológica: verdade, responsabilidade, ética e credibilidade.
Porque o futuro do jornalismo não dependerá apenas das ferramentas que seus profissionais serão capazes de dominar, mas principalmente dos valores que serão capazes de preservar.
Da Redação da São Paulo TV

