
Gestão Ricardo Nunes lança Nova Paraisópolis com R$ 2,33 bilhões e prepara transformação histórica para 120 mil moradores
Da Redação da São Paulo TV – imagem que simboliza o empreedimento
A gestão do prefeito Ricardo Nunes deu um passo de grande impacto social e urbano para a Zona Sul da capital com o lançamento do edital do Programa Nova Paraisópolis, projeto estimado em aproximadamente R$ 2,33 bilhões que reúne habitação, saneamento, mobilidade, drenagem, saúde, educação, esporte, cultura e desenvolvimento social.
Trata-se da maior intervenção urbanística já planejada para o Complexo Paraisópolis, alcançando também Jardim Colombo e Porto Seguro e com potencial para beneficiar cerca de 120 mil moradores.
Mais do que um conjunto de obras, o programa representa uma intervenção integrada em problemas que interferem diretamente na vida das famílias: tempo gasto no transporte, falta de saneamento adequado, moradias em áreas de risco, enchentes, necessidade de equipamentos de saúde e educação e escassez de espaços públicos qualificados.
Investimento que aproxima duas realidades de São Paulo
Um dos aspectos mais importantes do projeto está em seu modelo de financiamento. Aproximadamente R$ 1,67 bilhão deverá vir dos recursos arrecadados com a venda de CEPACs da Operação Urbana Consorciada Faria Lima.
Na prática, parte dos recursos gerados pela valorização imobiliária e pelo potencial adicional de construção de uma das regiões economicamente mais valorizadas do país será direcionada para investimentos estruturantes em Paraisópolis.
Esse mecanismo permite que o desenvolvimento urbano produza recursos capazes de financiar melhorias em territórios que historicamente necessitam de grandes investimentos públicos.
Em agosto de 2025, o primeiro leilão da 6ª distribuição de CEPACs da Operação Urbana Faria Lima vendeu 94,8 mil títulos e arrecadou R$ 1,668 bilhão, montante que a Prefeitura decidiu direcionar integralmente para o Complexo Paraisópolis.
Deslocamento até o Metrô poderá cair de 45 para 15 minutos
Entre as intervenções de maior impacto cotidiano está o prolongamento da Avenida Hebe Camargo, criando uma ligação direta de Paraisópolis com a Estação São Paulo-Morumbi do Metrô.
A estimativa apresentada pela Prefeitura é reduzir o tempo de deslocamento dos atuais 45 minutos para aproximadamente 15 minutos.
Isso significa devolver tempo à população. Para quem precisa sair diariamente para trabalhar ou estudar, diminuir meia hora de deslocamento representa uma transformação importante na qualidade de vida e na integração de Paraisópolis com outras regiões da cidade.
O programa prevê ainda a requalificação de 40,9 quilômetros de ruas e vielas, incluindo 19,4 quilômetros de vielas e 21,5 quilômetros de vias. Estão previstos enterramento de redes aéreas, arborização e melhorias nas condições de circulação, ventilação urbana e saneamento.

Água e esgoto para 33,2 mil famílias
Outro ponto central é o saneamento básico. A previsão é implantar redes de água tratada e esgoto para aproximadamente 33,2 mil famílias.
Também estão programadas a conclusão da canalização dos córregos Antonico e Itararé e a implantação de dois parques lineares.
As intervenções deverão incorporar soluções baseadas na natureza, aumentar as áreas verdes e permeáveis e melhorar a capacidade da região de enfrentar alagamentos e eventos climáticos extremos.
Em uma metrópole que enfrenta cada vez mais os efeitos das mudanças climáticas, drenagem, arborização e saneamento deixam de ser apenas obras de infraestrutura e passam a integrar uma política de proteção da população.
Moradia e permanência das famílias em Paraisópolis
A habitação é outro eixo estratégico.
O programa permitirá concluir os empreendimentos Sanfona e Vila Andrade, somando 812 unidades habitacionais. Em etapas posteriores, estão previstas mais 2 mil novas moradias, com prioridade para famílias que vivem atualmente em áreas de risco.
Há ainda um princípio social relevante no planejamento: buscar manter as famílias dentro do próprio território.
O edital determina que o planejamento das obras considere as etapas de remoção, liberação das áreas e reassentamento, procurando reduzir deslocamentos para fora de Paraisópolis e a necessidade de moradias provisórias.
A urbanização, portanto, procura não apenas transformar fisicamente o bairro, mas preservar os vínculos familiares, profissionais e comunitários construídos pelos moradores ao longo dos anos.
Saúde ganha UPA 24 horas, novo CAPS e reforma de UBSs
O Nova Paraisópolis também prevê uma expansão importante da estrutura pública de saúde.
O complexo localizado na Avenida Hebe Camargo deverá receber uma UPA 24 horas e um novo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). As UBSs existentes na região também deverão ser reformadas.
A presença desses equipamentos dentro do território significa ampliar o atendimento próximo à residência das famílias e fortalecer a rede pública justamente em uma área densamente habitada.
Novas escolas, esporte e oportunidades
Na educação, estão previstas duas novas Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEFs) e três Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEIs).
O programa inclui ainda um Centro Esportivo e Educacional de aproximadamente 16 mil metros quadrados, com piscina olímpica, quadras poliesportivas e áreas destinadas a atividades educacionais.
No Grotão e na Praça da Paz, a proposta é implantar um grande polo cultural, esportivo e ambiental, reunindo equipamentos públicos, organizações da sociedade civil e um Centro de Oportunidades, direcionado ao empreendedorismo e à qualificação profissional.
No Jardim Colombo deverá ser construído um Complexo Multiuso, com centro cultural, centro esportivo, unidade de educação infantil e praça pública.
Também está prevista a implantação de um Armazém Solidário, oferecendo alimentos a preços reduzidos para famílias inscritas no CadÚnico.

Programa amplia investimentos realizados desde 2021
O Nova Paraisópolis não parte do zero. Segundo os dados apresentados pela Prefeitura, a região vem recebendo uma sequência de investimentos desde 2021.
Entre eles estão a revitalização do CEU Paraisópolis/Profª Marisa Motta, com investimento de R$ 14 milhões, e do Complexo Esportivo e Educacional Prof. Gabriel Mário Rodrigues, que recebeu R$ 19,6 milhões.
Na habitação, foram entregues 413 apartamentos nos conjuntos Vila Andrade E1 e E2, com investimento de R$ 93 milhões.
As obras de canalização, drenagem e urbanização do Córrego do Antonico somam aproximadamente R$ 415 milhões em contratos, acompanhadas da retirada de 1.323 famílias de áreas de risco.
Também está em andamento o piscinão da Praça Roberto Gomes Pedrosa, projetado para receber 133 milhões de litros de água.
Desde 2021, quatro UBSs e dois CAPS foram implantados, além de outros serviços de saúde. Na regularização fundiária, 954 títulos de propriedade foram entregues aos moradores.
Uma transformação que precisa chegar à vida das pessoas
A dimensão do Programa Nova Paraisópolis coloca o projeto entre as iniciativas urbanísticas mais relevantes da atual gestão municipal.
Para o prefeito Ricardo Nunes, o desafio agora é transformar o volume de investimentos previsto em melhorias efetivamente percebidas pela população.
Quando saneamento, moradia, transporte, drenagem, saúde, educação, esporte, cultura e geração de oportunidades são planejados conjuntamente, a política pública ganha capacidade de produzir mudanças mais profundas do que intervenções isoladas.
O Nova Paraisópolis também estabelece uma ligação simbólica e econômica importante entre diferentes partes da capital: recursos produzidos pela dinâmica imobiliária da Faria Lima retornando em infraestrutura e serviços públicos para Paraisópolis, Jardim Colombo e Porto Seguro.
Se executado dentro dos objetivos estabelecidos, o programa poderá mudar significativamente a realidade urbana de uma das maiores comunidades de São Paulo, reduzindo desigualdades e oferecendo melhores condições para que seus moradores permaneçam, trabalhem, estudem e construam seu futuro no próprio território.
Para uma cidade das dimensões de São Paulo, essa talvez seja a principal importância da iniciativa: demonstrar que grandes investimentos urbanos podem chegar às regiões onde a transformação da infraestrutura representa, diretamente, transformação social.
