
O acerto de uma gestão
*José Renato Nalini
Administrar uma conurbação como a gigantesca e surpreendente São Paulo não é fácil. É a maior cidade do Brasil, a quinta do planeta. Com problemas compatíveis com a sua dimensão.
Daí o inegável acerto da gestão Ricardo Nunes ao priorizar a questão climática. Na capital bandeirante, os vilões do aquecimento global são, pela ordem: o trânsito, a energia estacionária e o lixo.
O incessante movimento de veículos abastecidos com diesel ou gasolina, combustíveis fósseis altamente poluentes, faz com que o trânsito contribua com 61% das emissões dos gases venenosos que causam o efeito-estufa. Acertada e coerente a iniciativa de eletrificar a frota de ônibus, responsável por metade dessas emissões.
Hoje, 1700 ônibus elétricos circulam por São Paulo, o maior projeto de descarbonização do Brasil e um dos mais impactantes em todo o planeta. Cada ônibus elétrico, lembra o Prefeito Ricardo Nunes, equivale ao plantio de 6.400 árvores, que atuam no sequestro de carbono e deixam de contaminar a atmosfera 35 mil litros de diesel por ano. Basta fazer as contas para verificar o que isso significa em termos de saúde pública.
Para comprovar a eficácia dessa política pública, a OMS acaba de divulgar um estudo associando a poluição atmosférica à demência, alertando o mundo inteiro de que a qualidade do ar é um fator de comprometimento da saúde física e da saúde mental.
Isso deveria repercutir na consciência de quem ainda não trocou seu veículo por um elétrico, por um híbrido e que persiste a abastecer o automóvel com gasolina, em vez de preferir a solução ecológica do etanol.
A Prefeitura está fazendo a sua parte, graças à sensibilidade de um gestor que compreende o alcance e a gravidade do cataclismo climático. Mas essa tarefa é de todos: Terceiro Setor, Igreja, Academia, Empresariado e sociedade civil.
*José Renato Nalini é Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

