
Educação ecológica de verdade
*José Renato Nalini
O cataclismo climático é a maior ameaça que recai sobre a humanidade em nossos dias. Os cientistas alertaram durante décadas e a sociedade permaneceu inerte, negligente e omissa. Agora, quem está com a palavra é a natureza. E ela está muito ressentida em relação à crueldade do bicho-homem.
Em 1988, o artigo 225 da Constituição da República Federativa do Brasil foi elogiada em todo o mundo civilizado, porque o seu artigo 225 foi considerada a mais bela norma fundante produzida no século 20. O constituinte tupiniquim erigiu o direito ao meio ambiente equilibrado e saudável um bem da vida essencial a todos e tornou os viventes, as gerações atuais, responsáveis pelo futuro das gerações do amanhã.
Por isso, cuidar dos recursos naturais é um dever inextirpável, a ser convertido em obrigação permanente e crescente de todos os racionais. Por isso é que o texto constitucional também contemplou a educação ambiental como um derivado obrigatório do dever contido no artigo 225.
Não se cuida de inserir uma disciplina – educação ambiental – no currículo de todos os níveis convencionais de ensino. É preciso mais. É urgente conscientizar a sociedade civil como um todo, de que qualquer pessoa pode e deve plantar árvores, economizar água, consumir menos, desperdiçar menos e descartar corretamente aquilo que desperdiça.
Sem isso, estaremos a condenar os nossos descendentes a uma vida inferior em dignidade àquela que recebemos de nossos pais. E está demorando para que essa consciência se dissemine e ganhe escala. Há muita coisa boa feita por voluntários, heróis anônimos que reflorestam, cuidam dos resíduos sólidos, limpam as represas. Mas a grande massa continua cruel a praticar os mesmos ilícitos ambientais, sem perceber o efeito bumerangue desse comportamento inidôneo, ilícito e até criminoso.
Vamos pensar em educação ecológica não como um assunto a mais, porém como preocupação contínua, consistente e permanente, para que a humanidade não pereça.
*José Renato Nalini é Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.
