
Zico ganha tributo nas telonas: documentário “Samurai de Quintino” celebra legado de um dos maiores ídolos do futebol brasileiro
Por Redação São Paulo TV Broadcasting
Estreia nesta semana nos cinemas brasileiros o documentário “Zico, o Samurai de Quintino”, obra que revisita a trajetória de um dos maiores nomes da história do futebol mundial: Zico. A produção mergulha na carreira, nos desafios e na dimensão humana do ídolo que marcou gerações dentro e fora do Brasil.

Dirigido por João Wainer, o filme apresenta uma narrativa que vai além dos gramados, explorando o simbolismo por trás do apelido “samurai”. A expressão faz referência não apenas à passagem marcante do craque pelo Japão, mas também à sua postura resiliente diante das adversidades ao longo da carreira.
Revelado pelo Clube de Regatas do Flamengo, Zico se tornou o maior símbolo do chamado futebol-arte brasileiro nas décadas de 1970 e 1980. Sua habilidade técnica, visão de jogo e precisão em cobranças de falta o transformaram em referência mundial. O documentário relembra momentos emblemáticos, como suas atuações decisivas e sua capacidade quase cirúrgica de marcar gols em bolas paradas — uma característica que o consagrou como um dos maiores especialistas da história.
Após brilhar no Brasil, Zico levou seu talento para a Europa, atuando pela Udinese, antes de consolidar um capítulo importante de sua carreira no Japão, defendendo o Kashima Antlers, onde se tornou ídolo absoluto e contribuiu para a profissionalização do futebol local.
A relação de Zico com a cultura japonesa é um dos pontos centrais da produção. No país asiático, o ex-jogador não apenas atuou como atleta, mas também como treinador e embaixador do esporte, ajudando a elevar o nível técnico e organizacional do futebol japonês. O reconhecimento foi além dos campos: Zico ganhou estátua, respeito institucional e status de verdadeiro herói nacional no Japão, consolidando uma carreira global rara para atletas brasileiros de sua geração.
O documentário também não evita os momentos difíceis. Entre eles, a ausência de um título mundial com a seleção brasileira — especialmente na Copa de 1982 — e episódios marcantes como o pênalti perdido na Copa de 1986. Lesões graves e até interferências políticas, durante o período da ditadura militar, também impactaram sua trajetória, evidenciando que nem mesmo os maiores ídolos estão imunes às turbulências da história.
Além do atleta, o filme revela o lado pessoal de Zico: marido, pai e avô. A narrativa mostra sua vida familiar estável, sua humildade e a relação próxima com fãs — características que reforçam sua imagem como um ídolo raro em um cenário esportivo cada vez mais marcado pelo estrelismo.
“Samurai de Quintino” se soma a uma tradição de produções que eternizam grandes nomes do futebol brasileiro nas telas, ao lado de obras dedicadas a ícones como Garrincha e Pelé. O filme reafirma o poder do esporte como elemento cultural e narrativo, capaz de atravessar gerações.
A trajetória de Zico, retratada no documentário, vai além do esporte. Ela representa disciplina, superação e integridade — valores que dialogam com o momento atual do futebol e da sociedade. Em tempos de carreiras cada vez mais rápidas e globalizadas, sua história resgata a importância da construção sólida, da identidade com clubes e da relação genuína com o público.
