
São Paulo é resiliente
*José Renato Nalini
A USP e a Prefeitura juntas atuam no sentido de propiciar melhores condições à população da maior cidade brasileira, diante das temperaturas elevadas. Pesquisadores da maior Universidade brasileira desenvolveram projeto de monitoramento de dados climáticos, para maior proteção de populações vulneráveis ao calor extremo.
A questão climática causa impactos diversos em relação à cidadania. Há evidente desigualdade térmica entre as várias regiões da cidade. Para isso, desenvolveu-se a Plataforma SampaAdapta. Uma ferramenta que integra ciência, gestão pública e participação social para fortalecer e aprimorar as políticas públicas em defesa da saúde dos mais afetados pelos fenômenos extremos.
A ciência comprovou que a diferença de temperatura de até 10ºC entre diferentes regiões, agrava os riscos dos mais vulneráveis. É urgente a motivação de inúmeros setores: novas práticas de construção civil, para que as soluções baseadas na natureza não sejam mera intenção teórica, mas efetiva tática. O conforto térmico também reclama a intensificação de áreas verdes e adoção de alternativas já comprovadas em outras localidades.

São Paulo tem uma Secretaria de Mudanças Climáticas e integra a Parceria por Cidades Saudáveis, uma rede global de mais de setenta municípios empenhados em criar centros urbanos mais saudáveis, seguros e equitativos. É uma questão de saúde pública, mas com repercussão econômica. É difícil precificar-se o custo de internações e a sobrecarga do sistema de saúde e o comprometimento da produtividade, quando altas temperaturas obrigam tratamento, internação e ausência ao trabalho.
Com sensores instalados em residências, parques, escolas e unidades de saúde, o SampaAdapta busca medir, monitorar e analisar de forma integrada dados sobre calor e saúde. Os dados vão orientar ações de adaptação climática, como a criação de estratégias para melhorar o conforto térmico na cidade e, nesta perspectiva, formular diretrizes para requalificação de parques e praças.
É a administração Ricardo Nunes a contemplar um aspecto importante, mas normalmente negligenciado na maior parte dos 5571 municípios brasileiros.
*José Renato Nalini é Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

