
Feminicídios disparam no Brasil e expõem falhas graves na proteção às mulheres
Da Redação da São Paulo TV Broadcasting por Beatriz Ciglioni
O Brasil enfrenta, neste início de 2026, uma escalada alarmante nos casos de feminicídio — o assassinato de mulheres por razões de gênero — revelando não apenas o agravamento da violência, mas também a fragilidade dos mecanismos de proteção às vítimas. Dados recentes e ocorrências das últimas semanas reforçam um cenário de urgência nacional, com destaque negativo para o estado de São Paulo.
Brasil registra aumento expressivo e rotina de mortes diárias

Os números mais recentes mostram que o feminicídio deixou de ser um problema pontual e se consolidou como uma crise estrutural.
Em 2025, o país registrou 2.149 mulheres assassinadas por feminicídio, além de milhares de tentativas. Isso representa quase 6 mulheres mortas por dia no Brasil. O total de vítimas, entre mortes e tentativas, chegou a 6.904 casos, um aumento de 34% em relação a 2024.
O país atingiu o maior número de feminicídios dos últimos 10 anos. Além disso, o Conselho Nacional de Justiça aponta que os processos de feminicídio praticamente triplicaram em cinco anos, evidenciando a escalada da violência.
São Paulo atinge recordes e acende alerta máximo

No estado de São Paulo, a situação é ainda mais preocupante.
Foram registrados 27 feminicídios apenas em janeiro de 2026, um recorde histórico. A média é de praticamente um caso por dia, ou a cada 27 horas.
Em 2025, o estado contabilizou 270 casos, com pico de 37 assassinatos apenas no mês de dezembro.
O crescimento contínuo revela que nem mesmo os estados com maior estrutura de segurança pública estão conseguindo conter a violência.
Casos recentes reforçam sensação de insegurança

Nas últimas semanas, diversos crimes voltaram a ocupar o noticiário nacional, muitos deles com forte repercussão social e sinais claros de que poderiam ter sido evitados.
Especialistas apontam um padrão recorrente. A maioria dos crimes é cometida por companheiros ou ex-companheiros, muitas vezes após histórico de violência doméstica. Em diversos casos, havia medidas protetivas em vigor que não foram eficazmente cumpridas.
Esse cenário demonstra uma falha grave na proteção preventiva e na atuação integrada do sistema de segurança e justiça.
Proteção às mulheres ainda é insuficiente

Apesar de o Brasil possuir uma legislação considerada avançada, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, a realidade prática mostra limitações importantes.
Em 2025, mais de 621 mil medidas protetivas foram concedidas, o equivalente a cerca de 70 por hora. Ainda assim, os assassinatos continuam crescendo.
Há falhas na fiscalização dessas medidas, ausência de monitoramento eficiente dos agressores e falta de integração entre polícia, Judiciário e serviços de assistência social.
Especialistas também destacam problemas estruturais como a escassez de casas de acolhimento, a subnotificação de casos de violência, a falta de políticas preventivas contínuas e a permanência de uma cultura de violência e desigualdade de gênero.
Violência silenciosa que evolui para o crime

Estudos mostram que o feminicídio raramente ocorre de forma isolada. Na maioria das vezes, ele é o resultado de uma escalada de violência progressiva.
O ciclo geralmente começa com agressões psicológicas, controle e isolamento da vítima, evolui para ameaças constantes e culmina em violência física.
Esse padrão reforça que o feminicídio é, em grande parte dos casos, previsível e poderia ser evitado com intervenção precoce.
Pressão social e resposta do Estado

Diante do aumento dos casos, o tema ganhou prioridade nacional. O governo federal lançou iniciativas para enfrentar o feminicídio, reconhecendo que o problema exige atuação conjunta entre Executivo, Legislativo e Judiciário.
Ainda assim, especialistas alertam que sem investimento, estrutura adequada e fiscalização efetiva, as medidas adotadas tendem a não alcançar o impacto necessário.
Um grito que ecoa nas ruas

Manifestações recentes em diversas cidades brasileiras reforçam a indignação da sociedade diante da violência contra a mulher.
O lema que tem ganhado força resume o sentimento coletivo: “Parem de nos matar”.
Conclusão: crise exige ação imediata

O aumento dos feminicídios no Brasil e em São Paulo não é apenas um dado estatístico. Trata-se de um retrato de falhas profundas na proteção à vida das mulheres.
A escalada recente evidencia que a legislação, embora robusta, não está sendo suficiente na prática. O sistema de proteção apresenta falhas na execução, a prevenção ainda é limitada e a resposta do Estado precisa ser mais rápida, integrada e eficaz.
O feminicídio é hoje um dos maiores desafios sociais e de segurança pública do país e exige não apenas políticas públicas mais efetivas, mas também uma transformação estrutural na forma como a sociedade enfrenta a violência de gênero.
