
Tarcísio de Freitas e o que o Governo do Estado está planejando após a tragédia de São Sebastião: três anos depois, prevenção, reconstrução e tecnologia redefinem a política pública em São Paulo
Da redação da São Paulo TV fonte SECOM Governo do Estado de São Paulo

Três anos após o temporal que matou 64 pessoas em São Sebastião, no Litoral Norte paulista, o governo estadual transformou uma das maiores tragédias climáticas da história recente de São Paulo em ponto de inflexão para sua política de prevenção de desastres. Sob a liderança do governador Tarcísio de Freitas, o foco deixou de ser apenas resposta emergencial e passou a incorporar planejamento estrutural, tecnologia de ponta e fortalecimento das bases municipais.

Em 19 de fevereiro de 2023, o cenário era de devastação. Deslizamentos de terra, bairros soterrados, até três metros de lama em alguns trechos e bloqueios na única rodovia de acesso ao município dificultaram o resgate. A perda de comunicação por falta de sinal telefônico comprometeu decisões nas primeiras horas, revelando vulnerabilidades que precisavam ser enfrentadas com urgência.
A partir desse diagnóstico, o Governo do Estado acelerou uma modernização ampla no sistema de alertas. Em dezembro de 2024, São Paulo passou a operar com o Cell Broadcast, tecnologia que envia alertas diretamente aos celulares localizados em áreas de risco, sem necessidade de cadastro prévio. Diferentemente do antigo modelo por SMS, o sistema utiliza georreferenciamento e um sinal sonoro específico que exige interação do usuário. Entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, 216 alertas foram emitidos em todo o estado.
Mas tecnologia, por si só, não salva vidas se não houver preparo da população. Por isso, comunidades de áreas classificadas como de risco muito alto, como a Vila do Sahy, passaram a receber treinamentos da Defesa Civil, com definição de rotas de fuga e pontos seguros. Sirenes físicas foram instaladas para complementar o sistema digital, criando uma rede integrada de aviso e evacuação.
O monitoramento meteorológico também foi reforçado. O radar instalado em Ilhabela ampliou a capacidade de identificar sistemas de chuva de baixa altitude — condição presente no evento de 2023 e que não havia sido plenamente captada pelos equipamentos disponíveis à época. Atualmente, o Estado conta com sete radares meteorológicos, dois deles inaugurados após a tragédia.
Outro eixo estratégico foi o fortalecimento das Defesas Civis municipais. Hoje, os 645 municípios paulistas possuem coordenadorias estruturadas e viaturas equipadas. A diretriz é clara: um sistema estadual só é forte quando cada município tem capacidade mínima de resposta, especialmente em períodos críticos de chuva.
Além da prevenção, o planejamento estadual incluiu reconstrução e recuperação social. O Governo de São Paulo investiu mais de R$ 1 bilhão em São Sebastião após o desastre. Na habitação, foram entregues 704 moradias definitivas, com investimento de R$ 260,4 milhões, e outras 256 unidades seguem em construção. No saneamento, a Sabesp empenhou R$ 29 milhões para ampliar o abastecimento de água e o tratamento de esgoto em áreas atingidas.
Na educação, R$ 56,7 milhões foram destinados à reconstrução da Escola Estadual Plínio Gonçalves e à construção da Escola Municipal Nair Ribeiro e da creche Juquehy 2, ampliando em cerca de mil vagas a rede pública local. Na saúde, os municípios do Litoral Norte receberam R$ 8,6 milhões para reforço das equipes e aquisição de insumos.
O campo econômico também entrou no planejamento. Pelo Banco do Povo, foram destinados R$ 30 milhões em linhas emergenciais; pela Desenvolve SP, estruturou-se uma linha de crédito de cerca de R$ 500 milhões para apoiar empresários e municípios da região. No setor agropecuário, pescadores e produtores receberam recursos específicos, fortalecendo a retomada produtiva.
O que está sendo planejado, portanto, vai além da reconstrução física. Trata-se de consolidar uma cultura permanente de prevenção, em um cenário de eventos climáticos cada vez mais intensos e frequentes. A tragédia de 2023 revelou fragilidades, mas também impulsionou uma reestruturação que combina tecnologia, infraestrutura e coordenação institucional.
Em Defesa Civil, antecipar é salvar. E a política pública desenhada após São Sebastião aponta justamente para isso: transformar aprendizado doloroso em sistema mais rápido, mais conectado e mais preparado para o imprevisível.
