
GP Cidade de São Paulo 1000 Milhas: Interlagos transforma a madrugada em palco épico da resistência e abre a temporada 2026 do automobilismo brasileiro
Coluna assinada pelo jornalista automobilístico Walter Westphal.
A temporada 2026 do automobilismo nacional começou com força máxima no GP Cidade de São Paulo 1000 Milhas, disputado no histórico Autódromo José Carlos Pace. A prova reafirmou Interlagos como o grande santuário da velocidade no Brasil e consolidou, mais uma vez, o status das Mil Milhas Brasileiras como a corrida de longa duração mais tradicional da América Latina.

Criada em 1956 por Wilson Fittipaldi e Eloy Gogliano, então presidente do Centauro Motor Clube, a prova nasceu em um Brasil que ainda estruturava sua indústria automobilística. O objetivo original era claro e ambicioso: testar, em condições extremas, a resistência, a confiabilidade e a evolução técnica dos veículos produzidos no país. Desde então, as Mil Milhas se tornaram um verdadeiro laboratório de engenharia, estratégia e preparo humano, acompanhando a transformação do automobilismo brasileiro ao longo de quase sete décadas.

Ao longo de sua história, a prova manteve uma ligação quase indissociável com Interlagos, deixando São Paulo apenas em duas ocasiões — Brasília, em 1997, e Curitiba, em 1999. Essa continuidade contribuiu para criar uma identidade própria, em que o traçado, as mudanças climáticas repentinas e a exigência física fazem parte do DNA da corrida. Não por acaso, a competição ganhou o apelido de Le Mans brasileira, em referência direta à clássica prova francesa de endurance.

A edição de 2026 reuniu mais de 70 carros no grid, distribuídos entre protótipos, categorias GT e carros de turismo, refletindo a pluralidade técnica do automobilismo nacional. Foram 373 voltas — ou 12 horas ininterruptas de prova — em um ritmo intenso que exigiu das equipes um trabalho milimétrico de estratégia, controle de consumo, gestão de pneus e perfeita sincronia nos revezamentos de pilotos. O preparo físico dos competidores, cada vez mais próximo dos padrões internacionais, mostrou-se decisivo em uma corrida que atravessa a madrugada e avança pelo dia seguinte.

A largada à meia-noite voltou a ser um dos momentos mais emblemáticos do evento. Antes do apagar das luzes, os tradicionais fogos de artifício iluminaram o céu da capital paulista, transformando Interlagos em um espetáculo visual e emocional. A atmosfera noturna, somada ao ronco dos motores e às arquibancadas tomadas por fãs, reforçou o caráter único da prova no calendário esportivo brasileiro.

Após 12 horas de disputa intensa, a vitória geral ficou com o Protótipo Ligier JSP 320 #22, da equipe G Force, confirmando a supremacia dos protótipos na classificação absoluta. A equipe demonstrou regularidade, velocidade e excelente leitura de corrida ao longo de toda a prova. Em segundo lugar na geral e vencedor da categoria GT3, terminou o Porsche 911 GT3 R da equipe Stuttgart, pilotado por Marçal Müller, Ricardo Maurício e Marcel Visconde, em uma atuação marcada por constância e competitividade do início ao fim.

Os resultados por categoria evidenciaram o equilíbrio técnico da edição 2026. Na P1, o Ligier JSP 320 #22 confirmou o favoritismo. A P2 teve vitória do Sigma #77, enquanto a P4 foi vencida pelo Protótipo EF1 #9. Na PN 1A, o Protótipo Spyder #95 levou a melhor. Entre os GTs, além da vitória do Porsche 911 #55 na GT3, a GT4 foi conquistada pelo Porsche 982 #982 e a GT4 Light pelo Audi RS3 TCR #50. Nas categorias de turismo, o Chevrolet Corsa 1993 #216 venceu a T1A, o Chevrolet Ômega 1995 #18 ficou com a T1B e o Mini Cooper 2014 #40 triunfou na T2.

A organização da prova esteve novamente a cargo da Federação de Automobilismo de São Paulo (FASP), em parceria com a Interlagos Sport Marketing, garantindo padrão técnico elevado, segurança e estrutura compatível com a importância do evento no cenário nacional.

A São Paulo TV Broadcasting acompanhou de perto o GP Cidade de São Paulo 1000 Milhas, com fotos e reportagens assinadas pela jornalista Regina Calderoni e equipe, registrando desde os bastidores dos boxes até os momentos decisivos na pista, levando ao público imagens exclusivas, entrevistas e análises técnicas de uma das corridas mais emblemáticas do automobilismo brasileiro.

As Mil Milhas Brasileiras seguem como um patrimônio do esporte a motor nacional. Mais do que uma corrida, representam um elo entre passado, presente e futuro do automobilismo no Brasil. A edição 2026 reafirmou essa vocação, abrindo a temporada com intensidade, história e emoção, sob o céu de Interlagos, onde a resistência vira espetáculo.
Coluna assinada pelo jornalista automobilístico Walter Westphal.




